Cairo sobre o contrato de Mentana: “Respeitar o DNA da La7; renovação depende da vontade de ambos”
Cairo reforça que o DNA da La7 deve ser preservado; renovação do contrato de Mentana depende da vontade de ambas as partes.
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Cairo sobre o contrato de Mentana: “Respeitar o DNA da La7; renovação depende da vontade de ambos”
Por Chiara Lombardi — Em uma reflexão que parece saída de um roteiro sobre identidades editoriais, o proprietário da emissora La7, Urbano Cairo, falou sobre o futuro do contrato do diretor do TgLa7, Enrico Mentana, e sobre o papel da emissora como espelho do debate público. Em declarações durante a apresentação do 25º Premio Cairo, Cairo reafirmou que a linha editorial da La7 tem um DNA próprio que merece ser preservado.
Segundo o editor, quando Mentana chegou à emissora, a La7 não era uma rede alinhada ao centro-direita — “se não o contrário”, nas palavras de Cairo — e essa característica não mudou desde então. Para ele, a integridade de um meio de comunicação é comparável ao cuidado que um cineasta tem com a coesão do roteiro: mexer no DNA pode dissolver a identidade que atraiu a audiência.
Cairo deixou claro qual é sua prática editorial: não interfere nas escolhas jornalísticas dos apresentadores. “Eu não digo ao Mentana como fazer o TgLa7, assim como não digo à Gruber, Floris, Cazzullo ou Formigli como conduzir suas transmissões ou quem convidar”, afirmou. A filosofia, explicou, é conceder liberdade — um cuidado autoral que evita a microgestão e preserva o espaço crítico da redação.
Ainda assim, o proprietário abriu a porta a uma ampliação do ecossistema de vozes na emissora. Cairo não descarta “inserir outros condutores, talvez com pontos de vista diferentes”, algo que já ocorreu no passado como forma de enriquecer o painel editorial sem, porém, alterar a essência da emissora.
Sobre a demanda pública de neutralidade que Mentana teria colocado, Cairo sublinhou que os programas da La7 não são “escalados”: são espaços em que o apresentador faz as perguntas — todas as perguntas — sem reservas. A crítica pode vir, mas o público continua a assistir: um sinal de que a emissora opera como um cenário de transformação, onde o confronto mantém a audiência engajada.
Quanto ao contrato de Enrico Mentana, Cairo recordou que o acordo vigente vai até o fim de dezembro — restam, segundo ele, cerca de três meses e meio — e que já conversaram “mil vezes”. A posição do editor é clara e elegante: sua estima por Mentana permanece intacta, mas a renovação depende da vontade de ambas as partes.
Em suma, a fala de Cairo projeta um reframe da realidade midiática: preservar o DNA de uma emissora, garantir liberdade editorial e, ao mesmo tempo, estar aberto a novas vozes. É um equilíbrio entre tradição e renovação — o roteiro oculto da sociedade mediática que se desenha em tempo real.

