Canzonissima, 4 de abril: Milly Carlucci e um espetáculo que vira memória coletiva

Terceiro episódio de Canzonissima com Milly Carlucci: convidados, performances e surpresas ao vivo na Rai 1.

Canzonissima, 4 de abril: Milly Carlucci e um espetáculo que vira memória coletiva

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Canzonissima, 4 de abril: Milly Carlucci e um espetáculo que vira memória coletiva

Canzonissima retorna neste sábado, 4 de abril, para seu terceiro encontro ao vivo na Rai 1, comandado por Milly Carlucci. O formato continua sua investigação sentimental sobre canções que transformaram trajetórias artísticas: cada intérprete propõe uma música que funcionou como virada de carreira — um verdadeiro espelho do nosso tempo, onde a canção se converte em identidade e narrativa.

No episódio anterior, foi a vez de Arisa emocionar com “La leva calcistica della classe ‘68”, garantindo a vitória na segunda das seis noites e a vaga direta na final. Ela se junta a Fabrizio Moro, cuja interpretação de “Il mio canto libero” já havia conquistado o público na estreia.

Os nomes escalados para subir ao palco nesta terceira noite revelam um painel plural da música italiana contemporânea e de memória: Arisa, Elio e le Storie Tese, Elettra Lamborghini, Enrico Ruggeri, Fausto Leali, Fabrizio Moro, Irene Grandi, Jalisse, Leo Gassmann, Malika Ayane, Michele Bravi e o tenor Vittorio Grigólo. É uma escalação que conversa com várias gerações e gêneros, como se o programa fosse um roteiro oculto da sociedade musical italiana.

A estrutura competitiva também mantém seu caráter híbrido: as votações combinam a sensibilidade de um painel de especialistas, a perspectiva dos próprios artistas e o termômetro popular das redes sociais. O painel fixo — os chamados "Magnifici 7" — traz figuras reconhecíveis do entretenimento e da mídia: Claudio Cecchetto, Francesca Fialdini, Pierluigi Pardo, Riccardo Rossi, Simona Izzo, Caterina Balivo e Giacomo Maiolini. Além deles, os cantores votam entre si (com a proibição de escolher a própria performance) e o público participa via plataformas digitais.

O programa não se limita à competição: há espaço para o encontro entre música e outras linguagens artísticas. Em estúdio, o ator Massimiliano Gallo promete um momento que mistura relato pessoal e número de espetáculo preparado especialmente para a noite, reforçando a ideia de que a música é também memória em cena. No âmbito do cinema, Pif e Giusy Buscemi chegam para apresentar o novo trabalho '...che Dio perdona a tutti', participando ainda de momentos performáticos e surpresas cenográficas.

Como observadora cultural, vejo Canzonissima como mais do que um concurso: é um mapa afetivo que reconstrói trajetórias, recontextualiza repertórios e projeta sentidos — um verdadeiro reframe da realidade musical que, por vezes, revela mais sobre a sociedade do que os próprios hits. Nesta edição, a mistura de veteranos e nomes emergentes cria um diálogo intergeracional que é, em si, uma pequena cena do que somos e do que lembramos.

Prepare-se para uma noite em que a canção se torna testemunho: é ao vivo, é imediato e promete pequenas revelações que só o palco consegue oferecer.