Carlo Conti transforma a pesca em lição de paternidade no livro 'A pesca con il babbo'

Carlo Conti lança 'A pesca con il babbo', um livro que transforma a pesca em manual de cumplicidade entre pai e filho e celebra paciência e respeito à natureza.

Carlo Conti transforma a pesca em lição de paternidade no livro 'A pesca con il babbo'

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Carlo Conti transforma a pesca em lição de paternidade no livro 'A pesca con il babbo'

Carlo Conti, rosto conhecido da televisão italiana, apresentou em Roma seu primeiro livro infantojuvenil, A pesca con il babbo, publicado pela De Agostini. A obra, autobiográfica na essência, costura memórias de infância, a paixão pela pesca e a construção de um laço afetivo com o filho Matteo, numa narrativa que se propõe mais do que uma história: um verdadeiro manual de cumplicidade entre pai e filho.

Segundo o apresentador, a ideia nasceu quando lhe pediram para escrever um livro para jovens. Ele relembra que começou a pescar na infância: nas férias em Livorno, encontrava o avô no cais e recebia, como presente, um pedaço de linha de pesca. «Aquele era o presente mais precioso do ano», conta Conti, porque significava horas inteiras dedicadas ao rito simples e atento de esperar pela mordida.

No encontro em Roma, Carlo Conti destacou como o projeto se transformou em algo mais profundo. O subtítulo, que ele próprio descreve como um manual de cumplicidade, revela a intenção de transformar um hobby em instrumento pedagógico: ter uma paixão comum com um filho — seja a pesca, a música ou o esporte — é uma riqueza que molda relações e memórias.

O livro contrapõe a serenidade do ofício da pesca à rapidez do mundo digital: «É o oposto do que é a vida dos jovens no TikTok, acostumados à frenesia, ao scroll infinito. A pesca é espera, tranquilidade, paciência — até a tristeza de não fisgar nada. E depois, ao sol, o abraço, a alegria de estar em contato com a natureza». Aqui, a narrativa funciona como um espelho do nosso tempo, um reframe que convida à desaceleração.

Entre os episódios mais divertidos, Conti recorda o chamado «falso pescado»: num dia sem sorte, ele e o filho foram ao supermercado, compraram uma palamita e dois sgombri, voltaram para casa e engendraram uma brincadeira com a mãe — até que apenas o amigo Saverio desconfiou da montagem. A anedota revela, com leveza, as pequenas falsificações que fazemos para preservar um momento de alegria familiar.

Um dos trechos mais significativos do livro é o paralelo traçado entre a pesca e a vida: «Na pesca é preciso paciência, e na vida também», observa Conti. Nem sempre se captura, nem sempre se ganha. É preciso tentar, testar iscas diferentes, mudar de lugar — um mapa discreto para a resiliência. O autor lembra ainda o imperativo do respeito pela natureza: quando já se pegou o suficiente, não é necessário insistir; a prática do catch and release — capturar e soltar — é ensinada como ética do convívio com o mar.

Ao final, surge a dimensão psicológica: a resiliência não é apenas um tema literário, é o motor do processo educativo que Conti propõe. A pesca, nesse roteiro oculto, torna-se metáfora para o experimentar e perseverar, para aceitar frustrações e celebrar pequenos triunfos. A obra, portanto, funciona tanto como uma lembrança íntima quanto como um manual prático para pais que desejam cultivar vínculos profundos com os filhos.

Como observadora cultural, vejo esse lançamento como mais do que a estreia literária de um apresentador famoso: é um sintoma do desejo contemporâneo de recuperar ritos lentos e significativos, de resgatar práticas que moldam memória e identidade. Em tempos de clipes efêmeros e atenção pulverizada, Carlo Conti assina um convite ao retorno — não ao isolamento, mas à cumplicidade atenta que se aprende com um anzol, um olhar e uma tarde ao sol.