Carmina Burana ecoa na Arena de Verona em 13 de agosto e inaugura três noites de estrelas

Carmina Burana inaugura três noites de música e estrelas na Arena de Verona em 13/8, com James Conlon e solistas internacionais. Confira programações.

Carmina Burana ecoa na Arena de Verona em 13 de agosto e inaugura três noites de estrelas

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Carmina Burana ecoa na Arena de Verona em 13 de agosto e inaugura três noites de estrelas

Por Chiara Lombardi — Quando as pedras milenares da Arena de Verona se convertem em pincel sonoro, o espetáculo deixa de ser apenas espetáculo: vira um espelho do nosso tempo. Na noite de quinta-feira, 13 de agosto, as aberturas e fechos da fortuna humana chegam em forma de canto com a célebre cantata de Carl Orff, Carmina Burana, abrindo um fim de semana de três sereias musicais que prometem ressoar como um roteiro oculto da sociedade.

O festival Arena di Verona Opera Festival se reafirma como um polo internacional do espetáculo ao vivo ao reunir, nas noites de 13, 14 e 15 de agosto, um elenco que mistura estreias no Anfiteatro e retornos muito aguardados. Entre os nomes que estreiam no espaço estão James Conlon, o maestro norte-americano que conduz a serata-evento dedicada à obra de Orff pela primeira vez na Arena, além de contratenor Carlo Vistoli e outros solistas de destaque. Também figuram entre os presentes vozes já familiares ao público, como Anna Pirozzi, Maria José Siri, Yusif Eyvazov, Michele Pertusi, Clémentine Margaine e o barítono Mihai Damian, cuja encorpada presença assume o papel de cerimoniere no hino à vida que pulsa nos Carmina Burana.

Na origem do espetáculo, Orff recolheu 24 poemas dos cancioneiros dos clerici vagantes do Baixo Médioevo encontrados na biblioteca do mosteiro bávaro de Benediktbeuern. Esses textos em latim, provençal e alto-alemão médio foram reconfigurados por Orff em uma linguagem que dialoga tanto com as sonoridades bárbaras e experimentais de Stravinskij quanto com uma tonalidade imediata e ritualística — como se a partitura fosse uma trilha sonora coletiva para a roda que gira: a eterna imagem da Fortuna que abre e fecha a peça.

O aparato cênico e musical deste único concerto em 13 de agosto é colossal: orquestra completa com vasta seção de percussões, pianos, duplo coro e três coros de crianças — o recém-formado Coro di voci bianche da Fondazione Arena somando forças com os coros A.Li.Ve. e A.d'A.Mus. — sob a direção de coro de Roberto Gabbiani. No trio de solistas que emerge do mosaico coletivo, além de Mihai Damian, sobressaem o contraltista Carlo Vistoli — em estreia na Arena — e a soprano Erin Morley, que encarna o eterno feminino em falsetes líricos e agudos que parecem tocar o céu. A direção musical de James Conlon imprime a leitura dramática da cantata, cuja execução terá cerca de 70 minutos sem intervalo, com efeitos de luz inéditos que prometem transformar o Anfiteatro em cena de cinema e rito.

Na sexta-feira, 14 de agosto, e no sábado, 15, o festival continua com duas obras que fazem parte da memória operística do público: Turandot (14/8) e Aida (15/8), ambas montadas com a assinatura estética do grande Franco Zeffirelli. A versão de Turandot retorna em cena com figurinos da ganhadora do Oscar Emi Wada e iluminação de Paolo Mazzon, compondo, na Arena, uma fábula de grandes proporções visuais e sonoras.

Mais que um conjunto de apresentações, esse tríptico veronês funciona como um reframe da realidade: a Antiguidade e o medieval reinventados em luz, voz e percussão, criando um eco cultural que investiga por que ainda nos movemos com as mesmas paixões e medos sobre a roda da Fortuna. Para quem busca mais que entretenimento — para quem procura a semiótica do viral montada em palco —, estas noites na Arena oferecem tanto espetáculo quanto reflexão.