Casa Buonarroti revela novo brilho de Tiberio Titi com restauro do quadro sobre Michelangelo
Casa Buonarroti apresenta restauro de Tiberio Titi que revela nova luz sobre Michelangelo; exposição em Florença de 1º de abril a 30 de setembro.
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Casa Buonarroti revela novo brilho de Tiberio Titi com restauro do quadro sobre Michelangelo
Em um gesto que une memória, técnica e celebração, a Casa Buonarroti de Florença acende os holofotes sobre o pintor Tiberio Titi e sobre o projeto de consagração da figura de Michelangelo. De 1 de abril a 30 de setembro, a Fundação apresenta a mostra "Michelangelo verso il mito. Dal restauro nuova luce su Tiberio Titi", centrada na obra-prima restaurada "Collocazione del busto di Michelangelo sulla tomba di Santa Croce" (1618–1620).
Curada por Cristina Acidini, presidente da fundação, e por Alessandro Cecchi, diretor, a exposição foi produzida pela Fundação em parceria com Opera Laboratori, responsável também pelo cenário expositivo. O restauro, viabilizado graças ao apoio dos Friends of Florence e ao contributo da doadora Donna Malin, foi executado pelos restauradores Elizabeth Wicks e Lorenzo Conti, com projeto gráfico assinado por Sillabe.
Trata-se, como ressalta Acidini, de um conjunto singular: nenhum outro quadro documenta a etapa final do monumento funebre dedicado a Michelangelo. A tela integra a decoração da Galeria de Casa Buonarroti e testemunha o programa comemorativo organizado por Michelangelo Buonarroti o Giovane para honrar o antepassado. Datada com precisão entre 14 de agosto de 1618 e 29 de agosto de 1620 pelos pagamentos anotados nos cadernos do jovem Michelangelo, a obra retrata o momento em que o busto marmóreo do mestre é erguido e colocado sobre a sepultura na Basílica de Santa Croce, ato ocorrido em 1574.
Na cena, artífices elevam a escultura sob o olhar de Leonardo Buonarroti e de sua família; a composição explora contrastes de luz e sombra que evocam nuances caravaggescas. O restauro devolveu à pintura a cromia original e permitiu avançar no conhecimento da técnica de Titi por meio de investigações diagnósticas e análises científicas de pigmentos.
Durante mais de quatro séculos a tela permaneceu colocada com a face voltada para baixo no teto da Galeria, situação que gerou deformações e craquelados generalizados. A remoção de vernizes amarelados e a consolidação com adesivo natural à base de alga japonesa purificada revelaram detalhes até então ocultos, incluindo a assinatura do artista, e restauraram a nitidez do colorido.
Simonetta Brandolini d'Adda, presidente dos Friends of Florence, destacou a satisfação da associação em apoiar a recuperação deste quadro fundamental, agradecendo à Fundação, aos restauradores e à doadora Donna Malin pelo compromisso contínuo com o patrimônio florentino.
A exposição não se limita ao objeto restaurado: ela contextualiza historicamente a encomenda através de pinturas, documentos de arquivo e materiais preparatórios, oferecendo ao visitante uma narrativa completa do ato commemorativo. Em termos culturais, este projeto funciona como um espelho do nosso tempo: a reemergência de uma obra menos conhecida redesenha o roteiro oculto da memória coletiva e reframe a história da recepção de Michelangelo na cidade que o reclama como ícone.
Em suma, o restauro de Tiberio Titi não é apenas recuperação material, mas também um reencontro com uma camada esquecida da tradição celebrativa florentina — um pequeno grande gesto que reescreve, com pigmento e luz, um capítulo do mito.