Chiara Balistreri sobre o ex: “Gabriel em prisão domiciliar; tenho medo e estou com raiva”
Chiara Balistreri fala sobre o ex Gabriel, agora em prisão domiciliar: medo, raiva e a luta para não ser silenciada após anos de violência.
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Chiara Balistreri sobre o ex: “Gabriel em prisão domiciliar; tenho medo e estou com raiva”
Por Chiara Lombardi — Em um episódio que é ao mesmo tempo íntimo e público, Chiara Balistreri voltou a falar sobre a violência que marcou sua vida e que se desdobra hoje no campo jurídico. Convidada do programa de Silvia Toffanin, Verissimo, a jovem descreveu com honestidade cortante o impacto de ver o ex-namorado Gabriel sair da prisão e passar a cumprir o restante da pena em prisão domiciliar.
“Estou em luto. Tenho medo e estou com raiva”, disse ela, em um depoimento que mais parecia um espelho do nosso tempo — onde denúncias de violência se chocam com decisões judiciais que nem sempre ressoam com a sensação de segurança das vítimas. A história de Chiara começou em 2022, quando uma denúncia e um internamento hospitalar denunciaram agressões físicas que vinham ocorrendo ao longo de anos.
Nas redes, a jovem apareceu em lágrimas após receber a notificação policial: Gabriele Constantin — condenado em segunda instância a cinco anos e nove meses por maltrattamenti e lesões — deixou a prisão e obteve o benefício de cumprir o restante da pena na casa da mãe. É a mesma residência que, como ela contou, é palco de memórias traumáticas: “Foi onde quase morri, onde vivem duas menores, onde apanhei por cinco anos”.
Há um peso simbólico nessa decisão: transferir o cumprimento da pena para o ambiente que testemunhou os episódios de violência ressoa como uma ferida exposta. Chiara classificou a medida como “uma derrota para mim e para todas as mulheres que, com coragem, rompem o silêncio”. E acrescentou um detalhe inquietante: ele já havia demonstrado conduta violenta também dentro da prisão e já havia fugido de uma prisão domiciliar anteriormente.
Além do trauma físico, há a ofensiva legal do agressor: segundo Chiara, Gabriel a denunciou por difamação, numa tentativa explícita de calar quem falou. A jovem, no entanto, prometeu resistir: “Ele pensa que vai me calar; eu vou continuar falando e dizendo a verdade”.
Como analista cultural, não consigo deixar de ver esse episódio como um roteiro oculto do nosso convívio social — a cena em que instituições, narrativas públicas e memórias privadas se encontram e, por vezes, falham em garantir restabelecimento e segurança. Chiara concluiu sua fala com um fio de esperança cinematográfica: “Espero um dia me sentar nesta cadeira e poder dizer: ‘Está tudo acabado’”. É um desejo que ecoa como a promessa de um final de filme que ainda precisa ser escrito na realidade.
Este relato reafirma que o debate sobre violência doméstica não é apenas judicial: é também cultural e simbólico. Cada decisão — sejam sentenças, medidas alternativas ou processos por difamação — compõe o enredo que molda a sensação de justiça e a possibilidade de cura para as vítimas.