Christie’s em Nova York supera US$1,1 bi em uma noite; Pollock arrematado por US$181,2 mi e Brancusi por US$107,6 mi
Leilão da Christie’s em Nova York superou US$1,1 bi: Pollock por US$181,2 mi, Brancusi por US$107,6 mi e recordes para Rothko e Miró.
RESUMO ✦
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Christie’s em Nova York supera US$1,1 bi em uma noite; Pollock arrematado por US$181,2 mi e Brancusi por US$107,6 mi
Por Chiara Lombardi — A noite de 18 de maio na Christie’s em Nova York funcionou como um espelho do nosso tempo: um leilão que não foi apenas transação, mas um roteiro sobre valor, memória e seleção cultural. Em uma única sessão, as vendas ultrapassaram a marca de US$1,1 bilhão, desencadeando recordes e reconfigurando mapas de prestígio no mercado da arte.
O leilão começou com a série Masterpieces: The Private Collection of S.I. Newhouse, composta por 16 lotes da coleção do magnata editorial e ex-proprietário da Condé Nast, S.I. Newhouse, falecido em 2017. A abertura foi marcada pela venda da Tête de femme de Pablo Picasso, que alcançou US$14,5 milhões, mais que o dobro da estimativa prévia. No agregado, a Coleção Newhouse somou US$631 milhões, consolidando-se como a segunda maior venda de coleção privada já realizada em leilão — atrás apenas da dispersão da coleção de Paul Allen em 2022, também na Christie’s, que totalizou US$1,7 bilhão.
O ápice da noite, no entanto, veio com a consagração de Jackson Pollock. A obra Number 7A, 1948 foi arrematada por US$181,2 milhões após uma disputa intensa ao telefone, conduzida pelo presidente global da casa, Alex Rotter. Mais de sessenta ofertas e mais de dez minutos de disputa elevaram a peça a um novo patamar, triplicando o recorde anterior do artista, então situado em US$61 milhões.
Outro momento notável foi a venda de Constantin Brancusi: a escultura Danaïde (1913), em bronze com folha de ouro, foi vendida por US$107,6 milhões, estabelecendo um recorde absoluto para o escultor e tornando-se a segunda escultura mais cara já vendida em leilão, atrás apenas de Pointing Man de Alberto Giacometti, que alcançou US$141 milhões.
Também se destacou a venda do Mark Rothko No. 15 (Two Greens and Red Stripe), de 1964, proveniente da coleção de Agnes Gund, ex-presidente do MoMA: arrematado por US$98,4 milhões, foi mais um recorde da noite. A mesma coleção rendeu US$150,8 milhões no total, incluindo uma obra de Cy Twombly por US$45 milhões e um trabalho de Joseph Cornell por US$6,9 milhões.
Outros recordes emergiram da Collezione Newhouse: o Portrait de Madame K. (1924) de Joan Miró chegou a US$53,5 milhões, enquanto Alice Neel teve Mother and Child (Nancy and Olivia) vendida por US$5,7 milhões — ambos marcando novas referências para os artistas.
Em termos culturais, a noite na Christie’s funcionou como um “reframe” do mercado: não se trata apenas de cifras, mas de como a curadoria privada e a narrativa histórica reconfiguram o valor simbólico de obras que, no campo da memória coletiva, operam como marcos. Esses resultados são o roteiro oculto da sociedade contemporânea, onde o gosto, a fortuna e a história se encontram sob os holofotes do mercado global.
Enquanto o martelo caía e os telefones tocavam em Nova York, vimos um cinema do capital — cenas rápidas de concorrência, desejo e afirmação cultural. Para além dos recordes, resta a provocação: o que essas cifras dizem sobre as prioridades estéticas e sobre quem detém a guarda da memória artística no século XXI?