Corte Suprema do Chile autoriza retomada de escavações de bilionário na ilha Robinson Crusoe
Corte Suprema do Chile libera escavações de Bernard Keiser na ilha Robinson Crusoe; regras ambientais rígidas e estudos de 2025 impulsionam nova busca ao tesouro.
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Corte Suprema do Chile autoriza retomada de escavações de bilionário na ilha Robinson Crusoe
Corte Suprema do Chile autorizou a retomada das escavações lideradas por Bernard Keiser, o milionário que, há mais de 30 anos, persegue a lenda do grande tesouro enterrado na ilha Robinson Crusoe. A decisão confirmou as decisões dos tribunais ambientais que reverteram a proibição imposta em 2019 pela Corporación Nacional Forestal (Conaf).
Segundo o acórdão, os licenciamentos necessários estarão prontos até junho, abrindo caminho para uma nova expedição a partir de outubro. As escavações, contudo, foram aprovadas sob condições estritas: será vedado o uso de maquinário pesado, todo o trabalho deverá ser manual e o período de intervenção limitar-se-á a seis meses. A área está dentro do parque nacional e da reserva mundial da biosfera reconhecida pela UNESCO, o que explica o rigor das restrições.
Keiser, que já realizou ao menos 17 expedições desde os anos 1990 e declarou ter investido mais de 5 milhões de dólares na busca, volta ao centro deste enredo que mistura história, arqueologia e mineração de expectativas. A narrativa popular aponta Puerto Inglés como o local onde estariam enterrados quase mil barris contendo moedas de ouro e prata, joias e pedras preciosas acumuladas durante a expansão colonial espanhola nos séculos XVIII. O valor estimado do hipotético achado varia entre 20 e 40 bilhões de dólares.
Além das dimensões românticas da história — um verdadeiro roteiro de aventuras capaz de alimentar o imaginário coletivo — há interesses concretos: em caso de descoberta, 75% do tesouro caberiam ao Estado chileno, e os 25% restantes seriam divididos entre Keiser e seus sócios. A plausibilidade da empreitada ganhou novo fôlego com estudos geofísicos de 2025 que detectaram uma concentração metálica relevante precisamente na área onde os novos trabalhos serão realizados.
Como observadora do nosso tempo, não posso deixar de ver nessa disputa entre conservação e promessa de riqueza um espelho do que somos: a ilha transforma-se num microcosmo onde memória, soberania e curiosidade humana se encontram. A autorização judicial é, ao mesmo tempo, um reframe da realidade — que reinstala a aventura no mapa jurídico — e um lembrete do cuidado que a modernidade deve ter com ecossistemas frágeis.
Do ponto de vista prático, resta aguardar os termos finais das autorizações e a logística da expedição prevista para outubro. Se a história confirmar a lenda, tratar-se-á de um dos maiores achados de nossa era; se a busca falhar, permanecerá o roteiro oculto das ambições humanas, registradas em diários de bordo e laudas judiciais.
Sou Chiara Lombardi, da Espresso Italia — escrevo sobre cultura, comportamento e os ecos sociais que transformam um rumor em evento. A história da ilha Robinson Crusoe continua sendo, antes de tudo, a semiótica de um desejo coletivo: o de encontrar, no subterrâneo do passado, o que precisamos para narrar o presente.