Costantino D'Orazio é nomeado Diretor da Criatividade Contemporânea do MiC

Costantino D'Orazio é nomeado Diretor-Geral da Criatividade Contemporânea do MiC, assumindo políticas para arte, arquitetura, fotografia, design e moda.

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Costantino D'Orazio é nomeado Diretor da Criatividade Contemporânea do MiC

Por Chiara Lombardi — 29 de junho de 2026

Foi anunciada a nomeação de Costantino D'Orazio como novo Diretor-Geral para a Criatividade Contemporânea do Ministério da Cultura italiano. Ele sucede Angelo Piero Cappello, que permanece à frente da Unidade de Missão para a cooperação cultural com a África e o Mediterrâneo ampliado do MiC. A mudança inaugura um novo capítulo nas políticas públicas voltadas às artes e às indústrias criativas.

O historiador da arte romano, até então diretor da Galleria Nazionale dell’Umbria e da Direção Regional dos Museus Nacionais da Úmbria desde 2023, assume agora a responsabilidade institucional sobre áreas que abarcam a arte contemporânea, arquitetura, fotografia, design, moda e as indústrias culturais e criativas. Com a nomeação, também deixam de vigorar as direções interinas dos Museus Nacionais de Bolonha e da Direção Regional dos Museus da Emília-Romanha que lhe tinham sido confiadas em novembro de 2024, abrindo o debate sobre os próximos nomes para essas chefias.

A trajetória de Costantino D'Orazio se constrói na interseção entre curadoria, pesquisa e divulgação. Formado na Universidade La Sapienza de Roma, com tese sobre a fotografia italiana do segundo pós-guerra, D’Orazio encarna uma figura que transita entre as instituições e o espaço público. No final dos anos 1990, foi cofundador da associação cultural Futuro, dedicada à promoção da arte contemporânea por meio de exposições e intervenções urbanas.

Ao longo da carreira, foi curador de exposições em instituições nacionais e internacionais. Entre 2015 e 2018 atuou como curador residente no MACRO de Roma, impulsionando projetos ligados à cena contemporânea italiana. Em 2020 e 2021, assinou o programa de instalações Back to Nature no parque de Villa Borghese, uma operação que dialogou com a cidade e com o público de forma expansiva. Além da atividade curatoral, D’Orazio é um dos principais divulgadores italianos da história da arte, autor de ensaios sobre mestres como Leonardo, Rafael e Caravaggio e presença recorrente na televisão, rádio e imprensa.

Enquanto a nomeação formal de Costantino D'Orazio reorganiza competências dentro do MiC, o movimento também reflete um instante cultural mais amplo: a necessidade de políticas que articulem memória, inovação e economia criativa. Nesse sentido, sua chegada pode ser lida como um reframe institucional — uma tentativa de alinhar o roteiro público às urgências do presente sem perder o vínculo com a tradição que define a paisagem cultural italiana.

O debate sobre os nomes que substituirão as direções interinas em Bolonha e na Emília-Romanha já se abre nos corredores das instituições. Será observado se a administração escolherá continuidade técnica ou apostas por perfis mais experimentais — um espelho do dilema contemporâneo entre estabilidade e risco, entre proteger patrimônios e estimular experimentações. Como observadora do zeitgeist cultural, acompanho essa transição como quem assiste a um novo ato de um filme em que figuram, simultaneamente, memória e movimento.

Para leitores e profissionais do setor, a nomeação de Costantino D'Orazio é, portanto, mais do que uma mudança de cadeiras: é um gesto que lança perguntas sobre o futuro das políticas culturais na Itália e sobre o papel das instituições como palco e espelho do nosso tempo.