Dante Ferretti: «Con i miei occhi» — a mostra que revela o universo do grande scenógrafo em Roma

Exposição 'Con i miei occhi' revela 60 anos de cenografia de Dante Ferretti em Roma: bozzetti, maquetes e os três Oscars do mestre.

Dante Ferretti: «Con i miei occhi» — a mostra que revela o universo do grande scenógrafo em Roma

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Dante Ferretti: «Con i miei occhi» — a mostra que revela o universo do grande scenógrafo em Roma

Por Chiara Lombardi — A partir de 17 de abril e até 19 de julho, os Musei di San Salvatore in Lauro, em Roma, acolhem Dante Ferretti na exposição intitulada "Con i miei occhi", uma narrativa visual que atravessa seis décadas de carreira de um dos mais influentes scenografi do cinema contemporâneo. Curada por Raffaele Curi e organizada por Il Cigno Arte em parceria com Vertigo Syndrome, a mostra reúne cerca de quarenta obras — bozzetti, estudos, trabalhos pictóricos e materiais originais — que funcionam como fragmentos de um roteiro oculto da memória cinematográfica.

O percurso expositivo foca no bozzetto como gesto fundador: o desenho que dá partida à construção do mundo fílmico. Entre as peças em destaque há um bozzetto em gessetto e carboncino para The Aviator (2004) de Martin Scorsese — trabalho que rendeu a Ferretti o primeiro de seus três Oscars —; um estudo de interior inglês vitoriano concebido para Sweeney Todd (2007) de Tim Burton, premiado novamente; e o esboço monumental do relógio da estação de Paris para Hugo Cabret (2011), que garantiu ao cenógrafo seu terceiro Oscar.

Mais do que uma antologia de prêmios, a exposição propõe um olhar sobre o ofício: os caminhos entre o traço e o palco, entre a maquete e a tela, demonstrando como a cenografia opera como um espelho do nosso tempo e um mapa de identidades. Estão também presentes bozzetti assinados para filmes de Federico Fellini — como E la nave va, Ginger e Fred e La voce della Luna — além de modellini scenici e locandine que contextualizam o diálogo entre projeto e produção.

Ao longo de sua carreira, Ferretti colaborou com mestres como Pier Paolo Pasolini, Federico Fellini (seis filmes), Liliana Cavani, Luigi Comencini e, de modo profícuo, Martin Scorsese, com quem assinou nove obras. Aos 88 anos, sua trajetória é uma cartografia sensorial da história do cinema moderno: cada bozzetto é um pequeno set imaginário, um estudo de luzes e memórias que nos pede para reexaminar o papel da cena na construção de sentido.

Visitar "Con i miei occhi" é entrar no ateliê do imaginário cinematográfico, onde o traço inicial se transforma em espaço habitável e em arquivo emocional. É também uma oportunidade para refletir sobre a cenografia como disciplina que traduz épocas, estéticas e tensões sociais — a semiótica do cenário como peça-chave do eco cultural.

Informações práticas: exposição aberta de 17 de abril a 19 de julho, Musei di San Salvatore in Lauro, Roma. Curadoria: Raffaele Curi. Organização: Il Cigno Arte com Vertigo Syndrome.