David di Donatello 2026: «Le città di pianura» domina a noite com 8 troféus; destaque para «Gioia mia» e Aurora Quattrocchi
David di Donatello 2026: «Le città di pianura» domina com 8 prêmios; destaque para «Gioia mia», Aurora Quattrocchi e vitórias técnicas do ano.
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David di Donatello 2026: «Le città di pianura» domina a noite com 8 troféus; destaque para «Gioia mia» e Aurora Quattrocchi
Por Chiara Lombardi — A 71ª edição dos prêmios David di Donatello, promovida pela Accademia del Cinema Italiano, desenhou-se como uma fotografia do cinema italiano contemporâneo: narrativas de território que ecoam além da tela. A grande vencedora da noite foi Le città di pianura, de Francesco Sossai, que conquistou nada menos que oito prêmios, confirmando-se como o filme-espelho deste ano.
Le città di pianura saiu coroado em categorias-chave: melhor filme, melhor regia (direção), melhor sceneggiatura originale (roteiro original), melhor produttore, além de prêmios individuais como miglior attore protagonista para Sergio Romano. Nos elos da produção, o filme também recebeu o prêmio de miglior casting para Adriano Candiago e miglior montaggio para Paolo Cottignola. Fechando o conjunto, a canção original "Ti", composta por Marco Spigariol (Krano), arrebatou o prêmio de miglior canzone originale.
Em um movimento de renovação autoral, Gioia mia, de Margherita Spampinato, foi premiado como miglior esordio alla regia — um sinal de atenção às novas vozes que reescrevem o roteiro cultural da Itália. No centro do palco interpretativo, Aurora Quattrocchi recebeu o David de migliore attrice protagonista, um reconhecimento que ilumina trajetórias e escolhas de interpretação.
O ano também evidenciou trabalhos técnicos que compõem a arquitetura cinematográfica: Primavera destacou-se em música e cena técnica, com Fabio Massimo Capogrosso vencendo como miglior compositore, Maria Rita Barbera e Gaia Calderone em migliori costumi, Marta Iacoponi em miglior acconciatura e a equipe de som (Gianluca Scarlata, Davide Favargiotti, Daniele Quadroli e Nadia Paone) recebendo o prêmio de miglior suono.
Do lado da estética visual, La città proibita foi reconhecida pela fotografia de Paolo Carnera, pela scenografia e arredamento de Andrea Castorina e Marco Martucci, e pelos effetti visivi entregues por Stefano Leoni e Andrea Lo Priore — lembrando como a técnica é o aplique que sustenta a ilusão cinematográfica.
Adaptando e reinterpretando fontes existentes, Le assaggiatrici, de Silvio Soldini, ganhou o David de migliore sceneggiatura non originale, assinado por Doriana Leondeff, Silvio Soldini, Lucio Ricca, Cristina Comencini, Giulia Calenda e Ilaria Macchia; além do prêmio de miglior trucco a Esmé Sciaroni e o reconhecimento do David Giovani.
Entre os outros prêmios de destaque: o David dello Spettatore foi para Buen camino, de Gennaro Nunziante; o miglior film internazionale foi para One Battle After Another (Una battaglia dopo l’altra), de Paul Thomas Anderson. O Premio David Cecilia Mangini para melhor documentário foi entregue a Roberto Rossellini - Più di una vita (Ilaria de Laurentiis, Andrea Paolo Massara, Raffaele Brunetti). O melhor curta-metragem foi Everyday in Gaza, de Omar Rammal.
Nos prêmios de interpretação coadjuvante, Matilda De Angelis levou o David de migliore attrice non protagonista por Fuori, e Lino Musella foi o migliore attore non protagonista por Nonostante. Entre homenagens e trajetórias, Gianni Amelio recebeu o David alla carriera, Bruno Bozzetto foi agraciado com o David speciale e Vittorio Stora obteve o Premio Speciale Cinecittà David 71.
Se o prêmio é um reflexo — um espelho do nosso tempo — esta edição reforça duas tendências: a força das histórias enraizadas no território e a emergência de novos autores que reconfiguram a paisagem do cinema italiano. Como espectadores, somos convidados a ler o roteiro oculto dessas escolhas, a mapear as afinidades entre memória coletiva e estética contemporânea.