A batalha do access prime time: De Martino recupera fôlego e desafia Scotti

De Martino encurta distância para Scotti no access prime time; Affari tuoi e La ruota della fortuna somam 10 milhões em março e desafiam a prime time.

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A batalha do access prime time: De Martino recupera fôlego e desafia Scotti

Por Chiara Lombardi — O cenário da televisão italiana revela, nos números de março, uma transformação tão sutil quanto reveladora: o access prime time deixou de ser apenas um aquecimento para a noite e torna-se um protagonista por si só. Quase metade do público que sintoniza a TV nesse horário está agora concentrado em duas máquinas de audiência tradicionais: Affari tuoi e La ruota della fortuna.

Os dados elaborados pela Geca a partir do Auditel — com colaboração de Massimo Scaglioni — mostram que a média dos espectadores desses programas atingiu em março a casa dos dez milhões. É um triunfo da televisão generalista fundado em ritualidade, hábito e compartilhamento familiar: a televisão como espelho do nosso tempo, conferindo conforto e previsibilidade num roteiro que muitos preferem encenar juntos, no sofá.

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Mais especificamente, Stefano De Martino vem recuperando terreno em Affari tuoi, somando, em março, uma média de 4.916.000 espectadores, com picos de 5,9 milhões no dia 3 de março, e share de 23,8%. Do outro lado, Gerry Scotti mantém-se firme em La ruota della fortuna, com 4.938.000 espectadores médios e 24,1% de share. Ambos os programas capturam mais de 8 milhões de «contatti» cada um e exibem uma taxa de permanência impressionante, próxima de 60% — indicador de uma fidelidade que lembra a força de um clássico no repertório televisivo.

Mas o interessante não é apenas a vitória dos números: é o efeito que essa liderança do access pode ter sobre a prime time. Na última semana, a RAI demonstrou saber aproveitar bem o fluxo: as suas ficções — Imma Tataranni (domingo, 4 milhões), Don Matteo 15 (3,9 milhões) e Guerrieri (3,5 milhões) — começaram por volta das 21h40 e tiveram durações inferiores a duas horas, garantindo boa performance.

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O contraponto vem da programação de entretenimento da Canale 5, que tende a iniciar mais tarde: Scherzi a parte obteve 2,6 milhões de espectadores médios, e o recém-estreado Grande Fratello Vip alcançou 2,1 milhões na estreia. Esses formatos partem depois das 22h e podem se estender por quase três horas — um horário que, mesmo para os espectadores mais dedicados, provoca desgaste.

O que está em jogo é mais amplo que uma contagem de telespectadores: é a dinâmica de atenção num mundo de telas conectadas. Depois do access, um público com TV conectada pode facilmente migrar para o vasto oceano das plataformas de streaming e do YouTube. Assim, o access prime time corre o risco de canibalizar a prima serata, criando um novo roteiro oculto da sociedade audiovisual.

Em termos culturais, tratamos aqui de um reframe da realidade televisiva: o culto da rotina como resistência ao frenesi do on-demand, ao mesmo tempo em que a fragmentação de atenção impõe escolhas mais estratégicas às emissoras. A pergunta que fica é: as grandes redes sabem utilizar esse novo poder do acesso como trampolim para a noite, ou serão derrotadas pelo próprio relógio?

(Fontes: Geca, Auditel; colaboração de Massimo Scaglioni.)

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