E se ora, lontano: o novo documentário de Massimo Selis e a voz dos jovens como sinal de esperança

Massimo Selis reúne jovens em 'E se ora, lontano': retiro, escuta e esperança num documentário que reinterpreta sinais do presente.

E se ora, lontano: o novo documentário de Massimo Selis e a voz dos jovens como sinal de esperança

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E se ora, lontano: o novo documentário de Massimo Selis e a voz dos jovens como sinal de esperança

Por Chiara Lombardi, Espresso Italia

O mais recente trabalho de Massimo Selis, E se ora, lontano, surge como um espelho do nosso tempo: um documentário que convoca vozes jovens para iluminar sinais, dúvidas e possibilidades. Diretor e autor com percurso iniciado nos sets como assistente e aiuto regista, Selis construiu, ao longo de uma década, uma prática cultural que atravessa ensaios sobre educação, arte e espiritualidade, sempre atento ao simbolismo e à leitura dos indícios que a história nos oferece. Em 2022, fundou com sua mulher, Belinda Bruni, a produtora Phausania Film, onde assinou curtas e documentários como Ogni incontro è un altrove, Passi sul mare e, agora, E se ora, lontano.

No diálogo que gerou o texto original, o entrevistador confessa ter sido tocado e surpreendido pelo filme. A resposta de Selis, e a própria construção do documentário, explicam por que: os jovens protagonistas não são personagens estereotipados, mas presenças que pensam “fora de uma cornice invisibile”, rompendo esquemas do século passado para propor leituras mais radicais e sensíveis do presente. Em outras palavras, Selis não busca soluções prontas nem posições maniqueístas; procura, com cinema sereno e atento, oferecer sentido e decifrar sinais.

O título, que para alguns pode soar elusivo, nasceu de uma imagem sugerida por um jovem durante o casting: um grupo que se retira às colinas por dez dias, em ressonância com o gesto coletivo e refúgio do Decameron. A ideia de olhar o mundo "de longe" permite que a paisagem social volte a ganhar foco, como se o distanciamento físico reconfigurasse a percepção histórica. O subtítulo do filme, uma altra voce esiste, explicita essa crença: há uma voz oculta, disponível, que pode e deve atuar. O espectador é saudado com um convite sutil: conectar-se com essa voz.

Selis conta que os jovens do documentário reúnem espontaneidade e maturidade, frescor e profundidade. Eles se reúnem em uma casolare-Canonica na Úmbria para compartilhar não só expectativas e angústias, mas práticas de meditação, conversas intensas e experimentos de convivência. O resultado não é um tratado programático: é um mosaico de testemunhos, diálogos e imagens que formam um roteiro oculto da sociedade contemporânea, uma semiótica do viral que aponta para possibilidades de renovação.

Como analista cultural, penso que E se ora, lontano opera em dois planos: primeiro, como documento de um tempo em que a periferia — geográfica, geracional, simbólica — revela alternativas; segundo, como gesto estético que reintroduz a lentidão e o olhar reflexivo num cenário marcado pela pressa e pelo ruido. É um filme que nos pede atenção e, ao mesmo tempo, oferece esperança: a prova de que ouvir jovens não é nostalgia, mas uma estratégia para ler os sinais do presente e reimaginar o futuro.

Em suma, a obra de Selis não é apenas um registro: é um convite a um reenquadramento. Como quem observa um filme premiado num café em Milão, sentimos que ali há mais do que histórias individuais. Há um coletivo que ensaia outra narrativa. E isso, talvez, signifique que o se do título já comporta um imperativo: experimentar agora, enquanto ainda é tempo.

Chiara Lombardi, Espresso Italia