Encontro-tensão entre Natureza e Arte no Giardino di Pianamola: uma rota de descobertas
No Giardino di Pianamola, o encontro-tensão entre Natura e Arte vira jornada sensorial com 35 artistas em One Minute Tree Revisited 2026.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Encontro-tensão entre Natureza e Arte no Giardino di Pianamola: uma rota de descobertas
Escondido entre o verde e abraçado pelo lago de Bracciano, o Giardino di Pianamola, em Bassano Romano, segue revelando um roteiro onde Natura e Arte se provocam e se revelam. Criado em 1994 por Elisa Resegotti, que ali decidiu viver após uma carreira como produtora cinematográfica, o jardim é um cenário que parece retirado de um filme: casa engolfada por ramos e arbustos, o pano de fundo do lago encimado por três ciprestes, e — em dias claros — a visão que alcança o mar de Cerveteri e as praias etruscas. Em primeiro plano, uma mancha de cistus, flor típica das dunas tirrênicas, oferece um espetáculo que, em Pianamola, virou pretexto e matéria prima para a criação.
Quem caminha pelos terraços sinuosos encontra, quase como num palco antigo, os três gradini di tufo dispostos em semicírculo que abraçam uma quercia secolare — árvore-âncora que funciona como um verdadeiro Genius loci. Aos pés dela, uma pedra vulcânica negra poisa como um vestígio misterioso: fragmentos de história que o olhar contemporâneo transforma em narrativa.
Resegotti, que cuida do local com o artista e biólogo Hans-Hermann Koopmann, traduz o cuidado botânico em gesto artístico. Uma das intervenções que nasce dessa convivência íntima com o lugar é a Paliss-ART, uma palissada a monte della tenuta transformada em obra a partir do material que emerge da própria terra — o terreno que se autointerpreta como arte.
Mas Elisa Resegotti também mantém o jardim conectado ao fluxo cultural: é a curadora da mostra One Minute Tree Revisited 2026 (em cartaz até 19 de junho, www.pianamola.org), que reúne 35 artistas retomando a experiência de 2010. O ponto de partida, segundo a curadora, é o «incontro-scontro entre Natura e Arte», um diálogo que estende laços com o Paesaggio e — sussurra-se — com a Storia do território.
Liberdade criativa é a regra: pintura, escultura, instalações multimídia, grafite, desenho e performance se distribuem pelos cantos do jardim. O visitante percorre trilhas que funcionam como um pequeno pellegrinaggio, cada obra uma parada que convida à contemplação. As schede explicativas, discretas e necessárias, atuam como guias para decifrar o gesto artístico sem macular o encanto do lugar.
A árvore quase sempre serve de suporte vivo: Paola Babini, presente desde 2010 com a instalação permanente “L’albero bionico”, propõe agora “L’eco dei rami”, pendurando no tronco da quercia uma lâmina fina que, à primeira vista, reflete o entorno, enquanto ramos negros tecem um ricamo sobre uma arquitetura de vidro. Em outra fresta do jardim, a intervenção assinada por Mauro Magniche — na denominada “Grotta Verde” — faz pender dos ramos pequenos “Reliquari” dourados, frutos que parecem recolher memória e sacralidade.
O encontro entre Natura e Arte aqui não é pacificação fácil: é confronto, reframe da percepção, convocação para repensar o que consideramos sagrado, doméstico ou selvagem. Pianamola não promete respostas; oferece um espelho do nosso tempo onde o público é convidado a se deter, a ouvir o respiro das plantas e o silêncio das pedras, e a ler nesse eco cultural o roteiro oculto da sociedade.
Ao fim do percurso, a sensação é a de ter participado de uma pequena liturgia estética: cada intervenção, por singular que seja, amplia a paisagem e reforça a ideia de que a arte — quando plantada no solo certo — floresce como memória coletiva. Em Pianamola, o visitante sai com a impressão de ter atravessado um filme curto e íntimo, cuja direção foi exercida pela própria Natura.