Bulgária vence o Eurovision 2026 com Dara e 'Bangaranga'; Itália fica em 5º com Sal Da Vinci

Bulgária vence o Eurovision 2026 com Dara e 'Bangaranga'. Israel em segundo; Itália fica em 5º lugar com Sal Da Vinci.

Bulgária vence o Eurovision 2026 com Dara e 'Bangaranga'; Itália fica em 5º com Sal Da Vinci

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Bulgária vence o Eurovision 2026 com Dara e 'Bangaranga'; Itália fica em 5º com Sal Da Vinci

Por Chiara Lombardi — Em uma noite que parecia escrita nos altos e baixos de um roteiro europeu conturbado, o Eurovision 2026 consagrou a Bulgária como vencedora pela primeira vez. A cantora Dara, com o hit irresistível "Bangaranga" — um hino de "Caos" e libertação pessoal — levou para Varna 516 pontos e a coroa numa final marcada por chuva, forte segurança e tensões políticas na Stadthalle de Viena.

Em segundo lugar ficou Israel, impulsionado sobretudo pelo televoto que elevou Noam Bettan e sua canção "Michelle" a 343 pontos, apesar das vaias do público presente. A vitória búlgara, inesperada para muitos analistas, foi a confirmação de um fenômeno que mistura pop, R&B e eletrônica — o mesmo repertório que consolidou Dara como estrela na região balcânica.

A final não foi apenas espetáculo pirotécnico e coreografias: foi também um espelho do nosso tempo. Por terceiro ano consecutivo o concurso foi atravessado por controvérsias pela participação israelense, com protestos dentro e fora do local e o boicote oficial de Espanha, Países Baixos, Irlanda, Islândia e Eslovênia em sinal de repúdio à guerra em Gaza. Entre luzes e fogos, houve ainda espaço para o grito político da cantora ucraniana Viktorija Lele'ka: "Slava Ukraini!", um lembrete do conflito que permanece vivo na memória europeia.

Dos 25 países que disputaram o título — entre eles a favorita violinista finlandesa (que terminou em sexto), o rapper folk da Moldávia e a banda de metal sérvia — emergiu a outsider que ninguém quis ignorar. Dara, 27 anos, nascida em Varna, já vinha com carreira consolidada em casa: programas como o X Factor Bulgaria e canções como "Thunder", "Call Me" e "Mr. Rover", com mais de 80 milhões de visualizações, pavimentaram o caminho. Seu álbum Adhdara ampliou sua visibilidade, agora potencialmente global após Viena.

Para a Itália, a noite trouxe mistura de orgulho e frustração. Sal Da Vinci, vencedor do último Festival de Sanremo, ficou em quinto lugar com "Per sempre sì", somando 281 pontos — posição idêntica à obtida por Lucio Corsi no ano anterior. Aos 59 anos, o napolitano é o artista mais velho desta edição do Eurovision, e encontra consolo no sucesso digital: mais de 60 milhões de streams, segundo números divulgados. Em Viena, o artista contou com o apoio oficial do ministro do Turismo, Gianmarco Mazzi.

Mais do que um concurso de músicas, essa edição do Eurovision funcionou como um reframe da realidade europeia: palco de tendências sonoras, canal de memórias coletivas e arena onde a cultura pop dialoga com memórias históricas e conflitos contemporâneos. A vitória da Bulgária com Bangaranga não é só um triunfo musical — é um sinal de como o algoritmo do gosto pode abrir espaço para vozes que encontram ressonância num momento de inquietude e desejo de liberdade.

Enquanto os pontos eram anunciados e as bandeiras agitavam-se sob a chuva de Viena, ficou claro que o concurso continua a ser um termômetro cultural: o roteiro oculto da sociedade passa também pela canção pop, e, às vezes, um refrão explosivo basta para traduzir o espírito de uma geração.