Eurovision 2026: quem são os favoritos e quais as reais chances de Sal Da Vinci?
Eurovision 2026: favoritos, as chances de Sal Da Vinci com 'Per sempre sì' e o panorama dos países participantes e ausentes.
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Eurovision 2026: quem são os favoritos e quais as reais chances de Sal Da Vinci?
Por Chiara Lombardi — Enquanto o palco da Wiener Stadthalle se prepara para acender as luzes da 70ª edição do Eurovision 2026, a atmosfera já revela um roteiro de expectativas e simbolismos. A primeira aparição de Sal Da Vinci acontecerá na terça-feira, 12 de maio, durante a primeira semifinal, mas, como representante da Itália e uma das Big 5, seu lugar na final está garantido.
O vencedor do Festival de Sanremo chega a Viena com a canção Per sempre sì, um tema que a imprensa descreve como um “disco de sabor retrô” — comentário que a BBC traduziu em um veredito ambivalente: “tarde demais para angariar os votos necessários, mas com uma agradável sensação de calor”. Essa leitura aponta para um contraste interessante entre a memória afetiva da canção e a dinâmica competitiva do espetáculo: no Eurovision, muitas vezes é a encenação — o corte de câmera certo, a coreografia, a luz como personagem — que decide destinos.
Nos ensaios já circulam imagens de Sal Da Vinci vestido de branco ao lado de Francesca Tocca, cuja roupa de noiva traz bordada a bandeira italiana — uma escolha estética que funciona como um espelho do nosso tempo, misturando identidade, espetáculo e um indício de teatralidade nacional. Ainda assim, segundo os bookmakers, Sal aparece em décimo lugar, com cerca de 2% de probabilidade de vitória. Estatísticas frias, talvez, perante a potência de uma apresentação capaz de ressignificar expectativas.
Os grandes nomes apontados como favoritos incluem o duo finlandês Linda Lampenius e Pete Parkkonen, além de propostas vindas da Grécia e da Dinamarca. A competição será mais enxuta neste ano: apenas 25 artistas disputarão a final — um total que não víamos desde 2003 — sendo cinco já garantidos (quatro das Big e a Áustria, país anfitrião) e os outros 20 selecionados a partir das duas semifinais.
Entre as novidades do evento destacam-se as estreias de Bulgária, Romênia e Moldávia. Ao mesmo tempo, a edição perde cinco países que anunciaram retirada: Espanha, Irlanda, Islândia, Eslovênia e Países Baixos, em reação à confirmação da participação de Israel. É um movimento que revela como o Eurovision continua sendo, além de entretenimento, um palco onde se leem tensões políticas e simbólicas.
Para a audiência italiana, a cobertura ficará por conta da Rai 2 e do serviço Rai Play, com comentários de Gabriele Corsi e Elettra Lamborghini. A apresentação de Sal em 12 de maio, embora não conte para a classificação final, é uma primeira leitura pública do que poderá ser ampliado no sábado, 16 de maio — a noite decisiva em que performance e narrativa se encontram para definir vencedores.
Na minha leitura como analista cultural: a candidatura de Sal Da Vinci funciona como um refrão do passado que busca diálogo com o presente. Se a canção provoca calor e identificação, será a encenação no palco — o close que revela uma emoção sincera, o enquadre que transforma um gesto em metáfora — que poderá reescrever as previsões.
O Eurovision nunca é apenas um concurso musical. É um microfilme coletivo onde cada país projeta sua imagem, suas memórias e suas apostas para o mundo. E, como em todo bom roteiro, há sempre espaço para a surpresa.