Eurovision 2026: Israel avança à final em Viena entre protestos dentro e fora da arena

Israel avança à final do Eurovision 2026 em Viena entre protestos na arena e nas ruas; tensão entre música, política e integridade do voto.

Eurovision 2026: Israel avança à final em Viena entre protestos dentro e fora da arena

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Eurovision 2026: Israel avança à final em Viena entre protestos dentro e fora da arena

Por Chiara Lombardi — Vienna se apresentou ontem como um palco onde a canção pop encontra a política e o espetáculo revela o roteiro oculto das tensões globais. Na primeira semifinal do Eurovision, quinze países competiram e dez se garantiram na final de sábado. Entre os classificados, estiveram, entre outros, Finlândia e Grécia — apontados como favoritos — e também Israel, que avançou apesar de fortes protestos dentro da sala e em praças da cidade.

O show, fiel ao seu lema United by music, tentou comunicar unidade e inclusão: o vídeo de abertura traçava a vida de um garoto que acompanha o Eurovision desde 1956, passando da vitrine de uma loja de eletrodomésticos ao sofá onde envelhece, sempre conectado à canção coletiva. É uma cena que funciona como um espelho do nosso tempo, uma narrativa que quer consolar ao dizer “não estarás sozinho com o Eurovision”.

Em pleno espírito desse eco cultural, subiu ao palco também Sal Da Vinci, fora de competição por ser representante de um dos países do Big Five. A performance de "Per sempre sì" construiu uma pequena fábula nupcial — o noivo, os preparativos, o momento em que o véu cai e a saia se transforma numa evocação do tricolore — um refrão de afeição que, em teoria, dialoga com a mensagem de união do festival.

Mas o cenário estava partido. O confronto entre espetáculo e contestação tornou-se visível quando a presença de Israel foi boicotada por parte do público e por movimentos externos. Alguma plateia gritou "Stop al genocidio" durante a apresentação do concorrente Noam Bettan, que se mostrou visivelmente perturbado. Fora da Wiener Stadthalle, em Viena, manifestantes pró-Palestina depositaram simbolicamente caixões na Schwedenplatz com fotos de crianças mortas em Gaza, enquanto a cidade vivia reforçado esquema de segurança policial.

O debate sobre integridade e influência também ganhou espaço nos bastidores. O New York Times publicou uma investigação que sugere, com documentos, que em 2025 teria havido tentativas de mobilização do voto em massa pró-Israel. A European Broadcasting Union (EBU) nega irregularidades, mas para esta edição já havia reduzido de 20 para 10 o número de SMS por eleitor e orientado redes a evitar campanhas que incentivem voto massivo. A emissora israelense KAN recebeu um chamado formal para interromper ações que pudessem ferir o fair play do regulamento.

No campo das eliminadas, não passaram à final delegações como San Marino — com Senhit, mesmo com o apoio de Boy George — além de Estônia, Geórgia, Montenegro e Portugal. Entre os classificados também surgiram Bélgica, Suécia, Moldávia, Sérvia, Croácia e Lituânia.

O episódio de Viena deixa claro que o Eurovision continua sendo mais do que um concurso musical: é um palco onde se projetam memórias, identidades e conflitos. A brilhante produção e as narrativas pessoais confrontam-se com a semiótica do viral e com protestos que lembram que, por trás das luzes, existe um cenário de transformação social. Amanhã ocorre a segunda semifinal; a grande final vai ao ar no sábado, com o público esperando um desfecho que traduza não apenas a canção mais votada, mas o ânimo de um continente em debate.