Eurovision proíbe países em conflito de sediar o concurso a partir de 2027

EBU torna inelegíveis para sede do Eurovision os países em conflito; regra entra em vigor em 2027 e aumenta a idade mínima para 18 anos.

Eurovision proíbe países em conflito de sediar o concurso a partir de 2027

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Eurovision proíbe países em conflito de sediar o concurso a partir de 2027

Por Chiara Lombardi — Os organizadores do Eurovision Song Contest anunciaram uma alteração significativa no regulamento: a partir da edição de 2027, prevista na Bulgária, os países envolvidos em um conflito armado não poderão mais ser automaticamente escolhidos como sede do concurso. A decisão foi formalizada pela EBU (União Europeia de Radiodifusão) como resposta a riscos de segurança e pressões geopolíticas que tornaram a escolha da anfitriã uma questão sensível.

Segundo as novas regras, “a emissora vencedora não poderá automaticamente hospedar o Concurso se um conflito armado, uma situação geopolítica delicada ou qualquer outra circunstância afetar materialmente a segurança, a integridade ou a estabilidade do seu Estado ou da região circundante”. Nessas hipóteses, a emissora vencedora passa a ser considerada automaticamente não elegível para organizar o evento.

A EBU poderá, se necessário, designar um organismo independente para avaliar a segurança regional do país vencedor. Com base nesse relatório, o grupo de referência — ou o comitê executivo — consultará as conclusões para decidir se a organização pode prosseguir de forma segura. Se a organização no território do vencedor for considerada inviável, a EBU nomeará uma emissora alternativa para sediar o concurso em seu próprio nome, não em representação do membro originalmente vencedor.

As mudanças surgem após a revisão anual do regulamento e o recolhimento de feedback das emissoras participantes em Viena-2026. Além da cláusula de elegibilidade por segurança, outra alteração prática foi o aumento da idade mínima para participação, que passa a ser de 18 anos, buscando maior proteção dos artistas e maior clareza nas regras.

Embora o texto não cite países explicitamente, a decisão ecoa as tensões observadas nas últimas edições: cinco delegações — Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovênia e Islândia — boicotaram Viena, recusando-se a competir ao lado de Israel, alvo de críticas pela sua conduta na Faixa de Gaza desde os ataques de 7 de outubro de 2023. Israel terminou em segundo lugar em 2025 e em 2026, circunstância que agravou o debate sobre a legitimidade simbólica de sediar e competir em contextos de conflito.

O histórico recente também lembra que a Ucrânia organizou o concurso em Kiev em 2017 apesar do conflito iniciado em 2014, mas, por outro lado, não pôde sediar a edição de 2023 — vencida por representantes ucranianos — devido à invasão em grande escala; naquele ano, o Eurovision foi realizado em Liverpool em nome de Kiev. Essas precedentes ilustram o dilema do concurso: entre ser um espelho cultural de solidariedade e manter condições reais de segurança.

Na chave de leitura cultural, o movimento da EBU representa um reframe do papel do Eurovision como palco europeu: trata-se de preservar o espetáculo enquanto se reconhece que o evento não existe fora de um “roteiro oculto” da política internacional. A decisão tenta equilibrar a dimensão simbólica do vencedor — que tradicionalmente ganha o direito de receber o público na sua terra — com a responsabilidade de garantir um ambiente seguro para artistas, delegações e público.

Resta ver como essa norma influenciará as estratégias das emissoras e o próprio significado de vitória: afinal, ganhar o Eurovision poderia transformar-se mais em um selo de prestígio cultural do que numa porta automática para sediar o grandioso espetáculo. Em tempos de polarização, a medida é um passo pragmático para proteger o concurso sem apagar seu valor simbólico — uma espécie de cena reescrita, onde a segurança dita as condições do espetáculo.