Evelina Sgarbi lança 'Nata Sgarbi', faz apelo por Achille Lauro e dedica livro ao pai Vittorio

Evelina Sgarbi lança 'Nata Sgarbi', dedica livro ao pai Vittorio, fala sobre ansiedade, transtorno alimentar e faz apelo para conhecer Achille Lauro.

Evelina Sgarbi lança 'Nata Sgarbi', faz apelo por Achille Lauro e dedica livro ao pai Vittorio

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Evelina Sgarbi lança 'Nata Sgarbi', faz apelo por Achille Lauro e dedica livro ao pai Vittorio

Por Chiara Lombardi — No mais recente capítulo do diálogo público entre família, fama e identidade, Evelina Sgarbi apresenta seu livro autobiográfico "Nata Sgarbi", disponível a partir de terça‑feira em todas as livrarias. Em entrevista ao programa Verissimo, conduzido por Silvia Toffanin, Evelina falou com uma honestidade que se aproxima de revelação íntima: dos laços complicados com o pai, Vittorio Sgarbi, às cicatrizes deixadas por crises de ansiedade e por um transtorno alimentar na adolescência.

No livro, Evelina reconstrói a história dos pais — o crítico de arte Vittorio Sgarbi e a mãe Barbara Hary — e descreve como cresceu numa família cujo sobrenome funcionou simultaneamente como vantagem social e fardo. "Eu não fui uma filha procurada", ela admite, mas corrige: "Ele, porém, ficou muito contente por me ter". Essa ambivalência atravessa o texto como um espelho do nosso tempo, onde prestígio e vulnerabilidade coexistem no mesmo enquadramento.

Uma cópia de "Nata Sgarbi" foi endereçada ao próprio Vittorio com uma dedicatória: "A meu papà...". Evelina disse esperar que ele leia o livro e observou, com uma mistura de esperança e reserva, que "em outro momento da vida ele poderia ter sentido orgulho de mim" — uma frase que revela o roteiro oculto da relação familiar e o eco das disputas legais que têm marcado o relacionamento entre os dois.

O impacto dessa relação se faz presente também na vida afetiva de Evelina. Ela confessa que as dificuldades com o pai deixaram marcas: "Tenho inseguranças a mais. Estou tentando trabalhar isso. Gostaria de ficar com alguém". E, em um gesto de leveza e desejo, lançou um apelo: "Se você o conhece, Silvia... eu adoraria conhecer Achille Lauro. Ele é meu tipo ideal" — dito com a voz trêmula da timidez e do anseio público.

Tal como muitas narrativas contemporâneas que misturam palco e autobiografia, o depoimento de Evelina toca num ponto sensível da cultura: como a exposição molda a intimidade e reconfigura a relação com o corpo. Ela relatou um período sofrido, quando ataques de ansiedade e um comportamento alimentar restritivo marcaram sua adolescência. "Durante a adolescência decidi fazer dieta, cortei tudo. Meu estômago ficava fechado, eu não conseguia mais comer. Foi assim que começou". O período de isolamento imposto pela pandemia, contudo, funcionou como um reframe na sua relação com a alimentação: "Aprendi a me estabilizar; agora tenho mais consciência da dieta que faço".

Ao contar sua história, Evelina não apenas narra eventos pessoais: ela oferece ao leitor a imagem de uma geração que negocia heranças — de fama, crítica, expectativas — e busca reinventar seu próprio roteiro. Em sua dedicatória ao pai, na esperança de reconhecimento, e no desejo público de encontro com uma figura cultural contemporânea como Achille Lauro, há a semiótica do viral e do íntimo se encontrando em plena luz do palco midiático.

Como analista cultural, vejo em "Nata Sgarbi" mais do que uma confissão: um estudo de caso sobre como a história familiar se volta em imagem e discurso, e sobre como o público hoje age como espelho e tribunal. Evelina escreve para ser vista, compreendida e, talvez, para transformar a narrativa que a precede.