Festival dei Due Mondi 69ª edição: Spoleto reabre com Vanessa de Menotti e olhar jovem
Festival di Spoleto 69ª edição reinventa-se com 'Vanessa' de Menotti, Nézet-Séguin, Yuja Wang, Mika Symphonique e a centenária Rambert.
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Festival dei Due Mondi 69ª edição: Spoleto reabre com Vanessa de Menotti e olhar jovem
Por Chiara Lombardi — O Festival dei Due Mondi di Spoleto renasce com um gesto que é, ao mesmo tempo, homenagem e reconfiguração: a 69ª edição, dirigida artisticamente por Daniele Cipriani, aposta em um retorno às raízes históricas da mostra, mas com um corte moderno e um apelo claro às novas gerações. "Um retorno às raízes da histórica manifestação com um apelo para a contemporaneidade e sobretudo para os jovens", diz Cipriani — uma frase que funciona como sinopse do novo roteiro cultural que o festival pretende encenar.
O pontapé inicial será dado em 26 de junho com Vanessa, ópera de Samuel Barber com libreto de Gian Carlo Menotti. Depois de ter estreado no Metropolitan Opera em 1958 e de ter sido apresentada em Spoleto em 1961 numa tradução italiana e numa versão de três atos, a obra retorna à Itália em sua língua original — o inglês — preservando seu fôlego internacional. A encenação é assinada por Leo Muscato, que também figura entre os consultores artísticos, ao lado da pianista Beatrice Rana, para a música, a ópera e o teatro.
No comando musical, a estreia italiana da maestrina sul-coreana Sora Elisabeth Lee à frente da Filarmonica del Teatro Comunale di Bologna e do coro do Teatro Lirico Sperimentale de Spoleto imprime um novo timbre à produção. O elenco reúne vozes internacionais: o soprano Lauren Fagan no papel-título, acompanhada por Virginie Verrez, Lulama Taifasi, Sara Mingardo e Maurizio Muraro.
Entre os momentos de maior expectativa está o retorno de Yannick Nézet-Séguin a solo italiano após oito anos: no dia 3 de julho, o maestro, uma das figuras mais requisitadas do circuito internacional, conduz a London Symphony Orchestra em Piazza Duomo, ao lado da pianista Yuja Wang. No programa, gigantes do século XX — Rachmaninov (Sinfonia nº 2 em Mi menor, op. 27) e Prokofiev (Concerto para piano nº 3 em Dó maior, op. 26) — interpretados com o vigor e a dimensão épica que a temporada pede.
O festival também amplia sua paleta sonora com iniciativas que dialogam com a contemporaneidade: em 30 de junho, Mika revisita seu repertório em formato sinfônico no evento Mika Symphonique, acompanhado pela Filarmonica do Teatro Comunale di Bologna sob a direção de Simon Leclerc. É a reconversão pop-sinfônica — uma espécie de reframe da paisagem pop em chave orquestral, onde a escrita contemporânea encontra a elegância da orquestração.
A dança alta e discursiva chega pelo Reino Unido com a centenária companhia Rambert, que, entre 26 e 29 de junho no Teatro Romano, apresenta This is Rambert, um tríptico em memória da fundadora Marie Rambert. A presença inglesa reforça o caráter de intercâmbio cultural do festival: Spoleto se mantém espelho do nosso tempo, um palco onde a tradição se encontra com novas revelações.
Para Cipriani, o festival sempre foi e seguirá sendo "um trampolim extraordinário para jovens artistas". Essa ambição — casar passado e futuro, tradição e inovação — configura o Festival di Spoleto como um cenário de transformação cultural, onde cada espetáculo funciona como um espelho e um roteiro oculto da sociedade contemporânea.
Com curadoria que mistura consagração e descoberta, a 69ª edição propõe um ciclo em que o legado de Menotti convive com vozes emergentes e nomes globais, reafirmando que o entretenimento aqui não é só passatempo: é análise, memória e celebração.


