Gassmann sobre Guerrieri: adaptar Carofiglio foi um desafio complexo e a ligação com Bari se aprofunda
Gassmann analisa a adaptação de Carofiglio em Guerrieri, a ligação com Bari e o desafio de traduzir a justiça para a TV sem banalizar o conteúdo.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Gassmann sobre Guerrieri: adaptar Carofiglio foi um desafio complexo e a ligação com Bari se aprofunda
Por Chiara Lombardi — Em um diálogo que parece extraído do roteiro oculto da justiça contemporânea, Alessandro Gassmann reflete sobre a transposição literária para a tela de Gianrico Carofiglio em Guerrieri - La regola dell'equilibrio, série da Rai Uno na qual interpreta o advogado penalista Guido Guerrieri. Segundo o ator, a adaptação não foi coser e cantar — foi, nas suas palavras, uma aposta complexa porque a escrita de Carofiglio é densa, cheia de nuances, e exigiu escolhas narrativas precisas para funcionar em televisão.
Gassmann elogia o trabalho de Gianluca Tavarelli, dos roteiristas e da produção, que — segundo ele — tomaram as decisões corretas para transformar o material literário em serial televisivo. Ainda assim, a sua incomodidade criativa permanece: — penso que o resultado é bom, mas não me contento; há sempre espaço para crescer. Essa postura revela o critério que atravessa a série — oferecer ao público da Rai Uno produtos populares, porém longe do banal e do mero nacionalpopulismo.
Os números de audiência, observa o ator, podem abrir portas — talvez permitam aprofundar ainda mais a escrita de Carofiglio em futuras temporadas. E, de fato, a confirmação de uma segunda série reforça um laço que agora é também geográfico e afetivo: Bari deixou de ser apenas cenário e virou lugar de retorno para Gassmann. — Agora que a conheço, Bari é uma cidade à qual voltarei com frequência; foi uma experiência emocionante e fiquei ligado à cidade — ele afirma, antecipando o desejo de continuar a contá-la de modo não trivial.
No centro da narrativa está o tema da justiça, entendido como um espelho do nosso tempo, um exercício que nunca oferece certezas absolutas. Gassmann destaca a zona cinzenta entre o certo e o errado — leis e regras nos guiam, mas a verdade plena permanece inacessível. — É isso que torna a justiça fascinante: quem julga precisa ser livre para buscar, interpretar e admitir a dúvida.
O encontro inevitável com outra série de sucesso, Un professore, suscita uma comparação de personagens: ambos comunicam, ambos aproximam-se dos marginalizados e dos que sofrem, mas têm temperamentos antitéticos. Segundo Gassmann, Guerrieri dificilmente toleraria o invasivo e expansivo método do professor — um contraponto dramático que, no plano serial, funciona como reframe de valores profissionais e humanos.
Por fim, a relação íntima entre ator e personagem: Gassmann confessa identificação com Guerrieri — não por heroísmo, mas por fragilidade. Com a idade, diz-se mais sensível, mais emotivo; é uma pessoa introvertida, mais escutador que orador. A capacidade de pedir desculpas quando erra é traço que une intérprete e figura judicial. É um gesto pequeno, humano, que revela o roteiro invisível da redenção e da responsabilidade.
Em suma, Guerrieri se apresenta como uma série que exige atenção: não é entretenimento leve, mas um convite a pensar a justiça como campo de tensão moral e cultural — um reflexo e uma interrogação do nosso presente.
Vídeo de Viviana Minervini — AGI