Giulia Michelini em Belve: ayahuasca, visões e o gesto sincero do arroto
Giulia Michelini confessa ter feito ayahuasca, chorar horas, e fala sobre maternidade e até sobre arrotos em entrevista a Belve na Rai 2.
RESUMO ✦
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Giulia Michelini em Belve: ayahuasca, visões e o gesto sincero do arroto
Em uma conversa que é ao mesmo tempo confessionário e espetáculo de humanidade, Giulia Michelini tornou-se irresistível em sua participação no programa Belve, conduzido por Francesca Fagnani, exibido nesta terça-feira, 14 de abril, em primeira‑noite na Rai 2. A atriz abriu portas que vão além da carreira e do personagem que a consagrou, oferecendo, com honestidade cortante, um retrato que é também um espelho do nosso tempo.
Logo no início, ela admite: “A gente diz que sou louca”. A linha entre biografia e espetáculo se dissolve quando a conversa toca nas experiências que a marcaram. Questionada sobre uma tal “experiência orientale”, Michelini não hesita: “Fiz este tratamento com ayahuasca três vezes, maldição minha, chorei oito horas seguidas, tive visões…”. A narrativa não é uma crônica de clube hipster, mas um relato de cura — um reframe da dor que, segundo ela, deslocou o valor da vida dos tapetes vermelhos de Veneza para outros lugares.
Quando Fagnani pergunta se ela está “dentro ou fora do circoletto” — a pergunta sobre pertencer ao circuito midiático — Giulia dispara com humor e imagem quase cinematográfica: “Eu estou fora, como uma cadeira de praia”. A frase resume bem a tensão entre exposição e recuo: a atriz aceita ser personagem e, ao mesmo tempo, recusa o aprisionamento do papel público.
O tom alterna entre o hilariante e o comovente. Sobre um traço pessoal que considera desagradável, Michelini solta uma verdade trivial e libertadora: “Frequentemente eu arroto”. Ri, descreve a sensação: “É libertador, vem sozinho, às vezes acordo e ahhhh”. Conta que a última vez foi no corredor, durante uma apresentação — e atribui ao nervosismo esse gesto tão humano. É um momento que desmonta a ideia de glamour: o corpo reclama, o controle falha, e a cena vira uma anedota sincera.
Mas há também emoção profunda. Quando o tema se volta para a maternidade, a atriz recorda a decisão de ser mãe aos 19 anos. Pensou em interromper a gravidez, mas optou por ficar. “Sem ele eu teria me perdido”, confessa, com a voz que vacila na borda do pranto. É aqui que a entrevista revela seu peso histórico e social: uma escolha íntima que reverbera como ato de resistência e criação de identidade.
O conjunto da entrevista funciona como um roteiro oculto da sociedade contemporânea — onde experiências psicodélicas cruzam-se com ansiedade pública, e escolhas pessoais são lidas como performances. Giulia Michelini não entrega apenas anedotas; ela desenha um mapa de fragilidades e estratégias de sobrevivência num mundo narrado pelas luzes do estúdio.
Para além dos cliques e manchetes, fica a imagem de uma mulher que se expõe sem polimento, que confessa lágrimas de oito horas, visões transformadoras e os pequenos rumos do corpo que se recusa a ser sempre impecável. É a semiótica do viral encontrada no humano: o gesto que humaniza se torna, por paradoxal que pareça, um ato de coragem estética.