Hammamet lembra Bettino: Di Bartolo e Giuliano apresentam livro no Senado (Palazzo Madama)

No Senado, livro "Hammamet ricorda Bettino" reabre o debate sobre Bettino Craxi entre memória, exílio e história política italiana.

Hammamet lembra Bettino: Di Bartolo e Giuliano apresentam livro no Senado (Palazzo Madama)

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Hammamet lembra Bettino: Di Bartolo e Giuliano apresentam livro no Senado (Palazzo Madama)

Por Chiara Lombardi — Em uma tarde que foi, ao mesmo tempo, memorial e ensaio público sobre a política italiana, o Senado acolheu a apresentação do livro "Hammamet ricorda Bettino", assinado por Salvatore Di Bartolo e Roberto Giuliano. Realizado no histórico Palazzo Madama e promovido pelo senador Salvatore Sallemi, vicecapogruppo de Fratelli d'Italia no Senado, o evento reuniu parlamentares, pesquisadores, jornalistas e um público jovem e atento — sinal de que a figura de Bettino Craxi permanece como espelho do nosso tempo.

Os autores traçaram o percurso editorial que sustentou o volume, centrado principalmente nas memórias e testemunhos recolhidos em Hammamet, cidade tunisina que se tornou palco dos últimos anos do ex-líder socialista. Entre relatos pessoais, encontros e reconstruções de episódios do cotidiano do ex-secretário do Partido Socialista Italiano, o livro propõe um retrato mais íntimo do exílio e da convivência com a comunidade local — uma cena que ajuda a reformular o significado público do personagem histórico.

O debate que se seguiu ampliou a discussão para o peso histórico da chamada era craxiana: das políticas de governo à projeção internacional da Itália, passando pelas sequências que culminaram no fim da Primeira República. Os debatedores insistiram na necessidade de separar o juízo histórico da disputa ideológica contemporânea, lembrando que os contornos da memória pública se recompõem constantemente conforme novos olhares e fontes.

Um dos discursos mais acompanhados foi o do senador Luca De Carlo, que refletiu sobre o entrelaçamento entre memória institucional e atualidade política — como o passado continua a moldar narrativas e identidades políticas hoje. Também mereceram destaque as intervenções de jovens debatedores: Federico Scalisi, Ottavia Munari, Mattia Romano, Sara Gilardi e Paola Emilia Castelli, cujas contribuições infundiram ao encontro perspectivas renovadas sobre legado, responsabilidade e curiosidade historiográfica.

A apresentação revelou, portanto, mais do que a materialidade de um livro: tornou-se um pequeno laboratório de memórias públicas, onde histórias de exílio, política e intimidade se cruzam para provocar reinterpretações. Ao devolver a cena de Hammamet ao debate italiano, Di Bartolo e Giuliano convidam leitores e cidadãos a olhar para os ecos culturais dessa temporada histórica — a semiótica do viral transformada em arquivo.

Como observadora cultural, vejo nesse tipo de iniciativa o gesto necessário de um país que revisita seus pontos de inflexão. A apresentação no Senado não ofereceu respostas fechadas; propôs perguntas: que lugar ocupa hoje a figura de Bettino Craxi na narrativa coletiva? Como o exílio em Hammamet redesenha a memória política italiana? Essas perguntas, lançadas em sala cheia, confirmam que o debate público é, enfim, um roteiro em construção — sempre suscetível a reescrituras.