Quem herda a obra de Gino Paoli? Direitos autorais, imóveis e a complexa constelação familiar
Quem herda a obra de Gino Paoli? Direitos autorais, imóveis e a família que compõe o espólio do grande cantor italiano.
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Quem herda a obra de Gino Paoli? Direitos autorais, imóveis e a complexa constelação familiar
Por Chiara Lombardi — Em cena, não apenas um catálogo de canções, mas o roteiro íntimo de uma vida que atravessou décadas de amor, escândalo e reconciliação. O legado deixado por Gino Paoli envolve não só composições que se tornaram espelho do nosso tempo, mas também bens materiais — entre eles os direitos autorais de suas canções e alguns imóveis. A pergunta que agora percorre os corredores da cultura é: quem fica com esse patrimônio afetivo e econômico?
Segundo levantamento da SIAE, o cantor arrecadava em torno de 450 mil euros por ano apenas com direitos autorais, um rendimento que transforma sua obra em ativo relevante para qualquer inventário. Mas a narrativa da sucessão não é feita somente de números; é formada por relações, reconciliações e escolhas pessoais que se desenrolaram como um filme em capítulos.
Ao centro desta constelação está a última companheira, Paola Penzo, esposa desde 1991 e presença constante nos últimos dias do artista, tanto na clínica privada quanto na residência com vista para o mar, no bairro do Levante genovês. Com ela, Paoli teve dois filhos: Nicolò (1980), artista plástico e fotógrafo, e Tommaso (1992), mais reservado e responsável há anos por parte da gestão das redes e do legado musical do pai. A família próxima — Paola, Nicolò e Tommaso — foi a que acompanhou o cantor até o fim.
Mas o roteiro de Paoli remonta a capítulos anteriores. Em 1954 conheceu Anna Fabbri, com quem se casou em 1957 e teve o primogênito Giovanni (nascido em 1964), que faleceu prematuramente no ano passado aos 60 anos, vítima de um infarto. O casamento com Anna terminou em 1970, depois de mais de uma década marcada por paixões paralelas e por conflitos que, na prática, moldaram uma família ampliada.
Entre essas paixões esteve a intensa relação com a atriz Stefania Sandrelli, que gerou Amanda — nascida também em 1964, em solo suíço para preservar a privacidade num contexto que poderia se tornar escandaloso. Amanda cresceu por muitos anos integrada ao núcleo familiar, inicialmente com o sobrenome Sandrelli, e hoje carrega o duplo apelido Sandrelli-Paoli. Num gesto que já virou imagem pública do luto, Amanda compartilhou nas redes uma foto com o pai e escreveu apenas: "Babbo mio".
Houve ainda capítulos intermediários, como a célebre história de amor com Ornella Vanoni, que fez parte do imaginário público. No entanto, foi com Paola que Paoli escolheu assinar a última cena: uma união que durou décadas e se transformou em parceria artística e pessoal.
Além dos quatro filhos reconhecidos, a família se expandiu com quatro netos, compondo uma geração que agora pode se tornar beneficiária direta do espólio musical. Curiosamente, o próprio artista chegou a desmentir rumores sobre um quinto filho, chamado Francesco e supostamente nascido em 2000.
Ao observar esse enredo, não se trata apenas de inventariar bens, mas de ler o roteiro oculto da sociedade: como administrar uma obra que é patrimônio cultural e, ao mesmo tempo, herança íntima? A decisão sobre os direitos autorais e a divisão de imóveis provavelmente seguirá os trâmites legais, mas será também um momento em que escolhas privadas se tornam públicas, iluminando as relações afetivas que sustentaram a carreira de um dos maiores nomes da canção italiana.
Enquanto advogados e herdeiros organizam documentos e inventários, resta ao público contemplar a dimensão duradoura da obra: canções que permanecerão como reflexo e refrão do tempo, agora tuteladas pelos que viveram o artista de perto.