La Fenice volta a Piazza San Marco com 'Omaggio a Ennio Morricone' em 5 de julho
La Fenice celebra Ennio Morricone em Piazza San Marco: concerto com Kevin Rhodes, Orchestra e Coro, 5 de julho às 21h. Ingressos à venda.
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La Fenice volta a Piazza San Marco com 'Omaggio a Ennio Morricone' em 5 de julho
Em uma noite pensada como um espelho do nosso tempo e da memória coletiva, o Teatro La Fenice retorna à mais célebre praça veneziana para um concerto que é, antes de tudo, um gesto de reverência: o Omaggio a Ennio Morricone será apresentado em Piazza San Marco no domingo, 5 de julho, às 21h00.
Ao pódio estará o maestro americano Kevin Rhodes, encarregado de dirigir a Orchestra e Coro do teatro veneziano, com Alfonso Caiani como maestro do coro. O programa foi pensado para celebrar a trajetória e o impacto cultural do compositor romano, falecido em 6 de julho de 2020, e será composto tanto por peças de cunho concertístico quanto por páginas retiradas do seu amplo catálogo cinematográfico.
Dentre as obras previstas, destaca-se a execução da Cantata per l'Europa (1988), para soprano, dois speakers, orquestra e coro — uma peça que ressoa como um manifesto coral para tempos de transformação. Em seguida, a noite percorrerá trechos emblemáticos das trilhas que consagraram Morricone: de Il clan dei siciliani (1969) a The Hateful Eight (2015) — o trabalho que lhe valeu o Oscar de 2016 — passando por Mission (1986), Nuovo cinema paradiso (1988), Jona che visse nella balena (1993), La leggenda del pianista sull’oceano (1998), Canone inverso (2000) e Nostromo: Conradiana (1996).
Os bilhetes já estão à venda, com preços que variam entre €30,00 e €220,00, e reduções previstas para assinantes do Teatro La Fenice e residentes no Comune e na Città metropolitana di Venezia. A compra pode ser feita na bilheteria do teatro, nos pontos de venda Eventi Venezia Unica, por telefone (+39 041 2722699) ou online em www.teatrolafenice.it.
A presença de obras de Ennio Morricone em Veneza tem uma história longa e multifacetada. O compositor raramente conduziu suas partituras em público — um detalhe que revela a relação singular que ele mantinha com a literalidade da execução e com a ideia de autoralidade. Mesmo assim, sua música alcançou na Laguna um estatuto próximo ao da música 'absoluta', transitando naturalmente entre sala de cinema e sala de concerto — uma ambição que Morricone, em vida, tratou sempre com uma estranha mistura de rigor e leveza.
Veneza já lhe dedicou honras: em 1995 o compositor recebeu o Leone alla Carriera na Mostra Internazionale d’Arte Cinematografica. Não é por acaso que algumas de suas partituras mais refinadas dialogaram diretamente com a cidade — de trabalhos televisivos como Marco Polo (de Giuliano Montaldo) a filmes com ambientações ou inspirações venezianas, passando por colaborações literárias e cinematográficas como La cosa buffa, La disubbidienza e Chi l’ha vista morire? (estes últimos de Aldo Lado).
Enquanto a Praça de São Marcos se prepara para acolher a sonoridade que tanto marcou o século XX, este concerto funciona como um reframe da memória: não é apenas um programa de repertório, mas a curadoria de um pequeno inventário de afetos e cenas — o roteiro oculto que une imagens, melodias e a história emocional de várias gerações. Para quem ama a música de cinema, e para quem vê na obra de Morricone um mapa afetivo do nosso tempo, a noite promete ser um espelho sonoro da cultura contemporânea.