Jovanotti lança 'Jovagiro' em Roma, comemora 60 anos com duas festas e critica preços dos ingressos
Jovanotti lança o Jovagiro em Roma, anuncia festas pelos 60 anos, critica preços dos ingressos e lança 'Poesie da Viaggio' em maio.
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Jovanotti lança 'Jovagiro' em Roma, comemora 60 anos com duas festas e critica preços dos ingressos
Jovanotti apresentou nesta quinta-feira, 23 de abril, no Campidoglio o Jovagiro, um tour ciclístico que ligará todas as etapas do Jova Summer Party 2026. A festa itinerante sobre duas rodas parte de Roma e culmina com dois shows finais nos dias 12 e 13 de setembro no Circo Massimo, numa celebração que mistura celebração, memória e convivência urbana.
Ao receber a Lupa Capitolina das mãos do prefeito Gualtieri, o artista confessou sentir “muita nostalgia” da cidade onde nasceu e cresceu até os 19 anos. Em suas palavras, há um pequeno arrependimento: não ter transformado essa sua romanidade num recurso mais explícito do repertório — algo que, na sua visão, artistas como Venditti ou Dalla souberam fazer ao associar suas músicas a um lugar de referência.
Com a leveza de quem mistura lembrança e ironia, Jovanotti brincou sobre os prováveis “deveres” decorrentes da honraria: “Receber a Lupa é um enorme orgulho. Mas, não sei, isso não traz algum dever? Fazer mais shows em Roma? Cantar com o prefeito?” E, lembrando do exemplo de Gilberto Gil, que chegou a ser ministro da Cultura, completou rindo que, se depender dele, prefere cantar e não gerir cargos públicos: “Forse fatemi assessore? Sto scherzando, eh. Io voglio cantare.”
O cantor também resgatou memórias íntimas da infância em Porta Cavalleggeri, das idas ao Vaticano onde o pai trabalhava e das primeiras andanças sozinho para a escola. Falou da adolescência como DJ — “tinha 200 pessoas na pista e 400 fora, e já era feliz assim” — e confessou que o garoto que foi ainda vive nele. Por isso, a ideia de celebrar seus 60 anos, que ocorrerão em 27 de setembro, com duas festas em Roma “na cidade onde tudo começou” o emociona profundamente. Ele quer que esses encontros tenham um sabor genuinamente romano e cogita convidar colegas com ligações à cidade, sem, porém, antecipar nomes.
Sobre o mercado dos shows, Jovanotti observou: “São dez anos que mantenho os mesmos preços dos ingressos. São sobretudo os estrangeiros que lançam cifras loucas. A nossa é uma indústria que se sustenta sozinha.” A declaração toca no ponto sensível do entretenimento contemporâneo: a tensão entre acesso cultural e valorização comercial, um roteiro oculto que hoje orienta turnês gigantescas.
Quanto à televisão, disse não acreditar em um projeto fixo para o meio e que nem sequer considerou o Festival de Sanremo. E, lembrando um conselho de Pippo Baudo, elogiou Stefano De Martino: “In tv funzionano le facce. Stefano ha la faccia.” Para Jovanotti, incursões esporádicas são mais atraentes; a prioridade continua sendo a música ao vivo.
Por fim, o artista anunciou a continuação da parceria literária com Nicola Crocetti: depois de Poesie da Spiaggia (2022), vem aí a antologia Poesie da Viaggio, com lançamento marcado para 5 de maio pela Feltrinelli — um convite para ler o mundo como se fosse uma turnê, uma coleção de versos que atua como espelho do nosso tempo.
Ao traçar este perfil entre memória e projeto, Jovanotti revela mais do que um calendário de shows: desenha um mapa afetivo em que a cidade, a cena e a indústria se encontram — o reencontro íntimo com Roma é também um reframe da sua própria trajetória artística.