La pelle del mondo: a ambição ecológica de Mancuso que não encontra ritmo na TV

Crítica a 'La pelle del mondo': a proposta de Stefano Mancuso é vital, mas o formato televisivo e os convidados enfraquecem a mensagem ecológica.

La pelle del mondo: a ambição ecológica de Mancuso que não encontra ritmo na TV

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La pelle del mondo: a ambição ecológica de Mancuso que não encontra ritmo na TV

Por Chiara Lombardi — Haveria tanto a celebrar em La pelle del mondo, novo programa da Rai 3 que coloca a ecologia, a botânica e a ética no centro do palanque cultural. A proposta, assinada pelo cientista Stefano Mancuso com Davide Savelli, quer reconfigurar a maneira como pensamos o planeta: abandonar a lógica de consumo da Terra e começar a cuidar da sua superfície — a verdadeira «pele» que separa o mundo mineral da atmosfera.

Como quem descreve o roteiro oculto de um filme que prefere a contemplação à ação frenética, Mancuso transforma o solo em personagem. A pelle do título é esse tecido fino, vivo e interconectado, onde as plantas deixam de ser figurantes para assumir o protagonismo do design terrestre. O tom do cientista evita o didatismo seco do professor; é o de um explorador de conceitos, empenhado em mostrar a sensibilidade e a inteligência das plantas com base em pesquisas sólidas e longe do alarmismo fácil.

Confesso a minha intimidade com as plantas: nasci nas Langhe, num povoado onde existe um arboreto de três hectares com 4.000 espécies de árvores e plantas do mundo inteiro — até uma sequoia. Ao longo da vida devo ter plantado mais de cem árvores. Mesmo assim, e com todo o carinho às raízes do projeto, o programa não funciona como poderia — e isso dói.

Qual é o problema? Para conquistar a audiência de um canal generalista, não basta colar ao formato um humorista popular como Lillo Petrolo e alguns esquetes que raramente acertam o tom. Ressuscitar personagens cult, como a Vulvia de Corrado Guzzanti, ou somar nomes de peso — Vinicio Capossela, Serena Dandini, Christian De Sica, Alessandro Gassmann, Giuliano Sangiorgi, Giovanni Storti — não é garantia de adesão: pode, ao contrário, trivializar a matéria.

Há ainda convidados cuja presença demonstra um desencontro entre a inteligência vegetale e a linguagem televisiva habitual. O resultado é um formato que se arrasta: estrutura previsível, ritmos demasiado dilatados e um tom monocórdico que mais parece uma aula do que uma experiência audiovisual. Em linguagem de cinema, é como se um roteiro ambicioso fosse encenado com clarões de luz pouco convincentes — a premissa é relevante, o plano de fundo é fascinante, mas a montagem não sustenta o impacto.

É uma pena: as ideias do programa ressoam como um espelho do nosso tempo. O ponto de partida — proteger a pele do planeta — é urgente e necessário. Falta, porém, ao formato a capacidade de traduzir essa urgência em linguagem televisiva capaz de tocar emocionalmente e, ao mesmo tempo, informar com elegância. Fica a sensação de que se perdeu uma oportunidade de reframe cultural, um encontro entre ciência e público que poderia transformar a forma como percebemos o mundo verde ao nosso redor.

29 de março de 2026