La Scala celebra 80 anos da reabertura com aplausos a Mattarella e forte apelo à democracia
La Scala comemora 80 anos da reabertura com aplausos a Mattarella e um forte apelo à defesa da democracia na Itália.
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La Scala celebra 80 anos da reabertura com aplausos a Mattarella e forte apelo à democracia
Por Chiara Lombardi — Em uma noite em que música e memória se entrelaçaram como cena e espelho, o Teatro alla Scala de Milão celebrou os 80 anos desde a reabertura de 1946 com um concerto que resgatou o valor cívico da cultura e lançou um claro chamado à defesa da democracia.
Antes mesmo das primeiras notas, a entrada do Presidente da República, Sergio Mattarella, foi recebida por uma longa standing ovation no público, que o saudou com cânticos de "bravo presidente". Ao seu lado estava a senadora vitalícia Liliana Segre, presença simbólica da memória e da responsabilidade pública.
O prefeito de Milão e presidente da Fundação Scala, Giuseppe Sala, assumiu o microfone para situar o concerto no contexto histórico: o espetáculo de Arturo Toscanini em 1946, realizado apenas treze meses após o fim da guerra, entrou na história como símbolo da reconstrução italiana. Sala advertiu que celebrar oito décadas não é um rito nostálgico, mas um questionamento urgente sobre o que significa herdar aquela reconstrução. "As instituições aqui presentes têm uma responsabilidade precisa: representar Milão, a Itália e a Europa, mas sobretudo defender", disse, acrescentando que hoje não está em jogo apenas a defesa da arte ou da Scala, e sim a defesa da democracia.
Dirigindo-se ao Presidente Mattarella, Sala ressaltou: "O sistema de direitos e deveres e de regras que define a nossa convivência encontra em Vossa Excelência o garante da integridade da Constituição". E reiterou, num tom que soou menos como recado e mais como dever coletivo, que "a democracia é um processo contínuo, deve ser renovada todos os dias, caso contrário resta apenas sua sombra". Citando Verdi, evocou a frase em italiano "Torniamo all'antico: sarà un progresso" — um convite a reaprender do passado para avançar.
Na reverência ao gesto fundacional de 1946, o palco central da Scala não foi reservado às autoridades, mas aos músicos da Casa Verdi, em homenagem à escolha de Toscanini. O Presidente ficou entre o público, no centro do parterre, enquanto no foyer e nas poltronas se alinhavam figuras institucionais: o presidente do Senado Ignazio La Russa, o presidente da Regione Lombardia Attilio Fontana, o presidente do Conselho Regional Federico Romani, os senadores vitalícios Liliana Segre e Mario Monti. Entre os anfitriões e convidados, destacaram-se o superintendente Fortunato Ortombina, o prefeito Claudio Sgaraglia, o sub-secretário da Cultura Giampiero Cannella e personalidades do mundo empresarial e cultural, como Marco Tronchetti Provera, Fedele Confalonieri e Diana Bracco.
Ao término do concerto, o maestro Riccardo Chailly e a orquestra foram brindados com cinco minutos de aplausos ininterruptos, numa demonstração que deixou clara a sintonia entre palco e plateia. Do loggione ecoou um vibrante "Viva Verdi", que concluiu as comemorações com o mesmo vigor simbólico daquela noite de 1946.
Mais do que um evento musical, a celebração funcionou como um espelho do nosso tempo: a cultura como roteiro oculto da sociedade, a memória que nos convoca e o desafio de traduzir herança em responsabilidade cívica. A Scala, neste 80º aniversário, não apenas comemorou o passado — reiterou sua missão pública de iluminar o presente e defender o tecido democrático que torna a arte verdadeiramente comum.