Libri Come 2026: em Roma, a festa do livro retorna sob o signo da democracia

Libri Come 2026 chega a Roma (20-22/03) no Auditorium Parco della Musica com o tema Democracia e medalha do Presidente da República.

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Libri Come 2026: em Roma, a festa do livro retorna sob o signo da democracia

Por Chiara Lombardi — A cena literária de Roma volta a se transformar em um espelho do nosso tempo: de 20 a 22 de março, o Libri Come regressa ao Auditorium Parco della Musica para a sua XVII edição, centrada no tema Democracia. A programação, curada por Michele De Mieri, Rosa Polacco e Marino Sinibaldi, propõe um cardápio plural — encontros, diálogos entre escritores, aulas, mesas-redondas, readings e conversas interdisciplinares — que pretende ser mais do que uma celebração do livro: um reframe público sobre o papel das ideias na esfera cívica.

O evento, organizado pela Fundação Música per Roma, recebeu a medalha do Presidente da República, Sergio Mattarella — um reconhecimento que, como sublinhou Raffaele Ranucci, diretor executivo da Fundação, reitera o valor cultural e cívico da iniciativa. “Livros e diálogo das ideias são instrumentos fundamentais para alimentar o pensamento crítico, a participação e a vida democrática”, afirmou Ranucci, acolhendo a condecoração como um impulso para ampliar esse espaço de encontro e troca.

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Entre os participantes italianos, estarão nomes que atuam como vozes fortes no cenário contemporâneo: Niccolò Ammaniti, Bruno Arpaia, Stefania Auci, Daria Bignardi, Giordano Bruno Guerri, Ermanno Cavazzoni, Mauro Covacich, Giuseppe Culicchia e Maurizio de Giovanni. Complementam a programação uma seleção de autores e críticos consagrados — Sandro Veronesi, Paolo Giordano, Concita De Gregorio, Rosella Postorino, Giancarlo De Cataldo e Claudia Durastanti — cuja presença reforça o caráter plural e dialógico do festival.

O festival não se limita à fronteira italiana: entre os convidados internacionais figuram Dinaw Mengestu, a argentina Samantha Schweblin, a polonesa Johanna Bator, a francesa Marie Darrieussecq, a espanhola Clara Úson (autora de Le belve), o alemão Steffan Kopetzky (autor de Sacrificio di regina), os ingleses Edward St. Aubyn e Phoebe Greenwood, o norte-americano Chris Pavone e a turca Aysegul Savas. Essa diversidade internacional compõe um mosaico de perspectivas que pretende discutir a democracia em suas dimensões locais e globais — o roteiro oculto da sociedade que o festival busca iluminar.

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O fio condutor desta edição — Democracia — será explorado desde o ato inaugural, marcado para 20 de março, até os encontros finais: debates sobre o papel da leitura na formação do pensamento crítico, leituras performáticas e mesas que cruzam literatura, história e políticas públicas. Em sua proposta, Libri Come atua como um eco cultural, uma plataforma onde o livro se converte em ferramenta de participação e formação cidadã.

Como observadora cultural, vejo em eventos como este um pequeno cinema da contemporaneidade: cada conversa é um plano-sequência que revela prioridades, medos e esperanças coletivas. Este festival convida-nos a olhar além das capas e dos elogios críticos — a perguntar o porquê de cada narrativa e o que ela diz sobre o estado de nossas instituições. Em tempos em que a palavra pública é frequentemente polarizada, a volta do Libri Come é um chamado à escuta e ao diálogo informado, um roteiro de resistência da esfera pública.

Serviço: Libri Come — Festa do Livro e da Leitura. Quando: 20 a 22 de março de 2026. Onde: Auditorium Parco della Musica, Roma. Curadoria: Michele De Mieri, Rosa Polacco e Marino Sinibaldi. Promoção: Fondazione Musica per Roma.

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