Libri Come 2026: Marino Sinibaldi afirma que a democracia se lê — e se celebra — no palco dos livros

Libri Come 2026 em Roma debate 'democracia' com mais de 100 eventos e nomes como Ammaniti, Saviano, Zerocalcare, Mounk e Applebaum.

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Libri Come 2026: Marino Sinibaldi afirma que a democracia se lê — e se celebra — no palco dos livros

Está tudo pronto para a 17ª edição de Libri Come, a tradicional festa do livro e da leitura que acontece de 20 a 22 de março no Auditorium Parco della Musica, em Roma. Produzida pela Fondazione Musica per Roma e curada por Michele De Mieri, Rosa Polacco e Marino Sinibaldi, a edição deste ano tem uma palavra-guia clara e intencional: democracia. Não apenas como princípio político, mas como um motor cultural capaz de aproximar pessoas, ideias e gerações.

Em conversa com Marino Sinibaldi, entendemos que a escolha do tema quer ser um alerta e um convite. ‘‘Escolhemos um termo que hoje vive uma fase crítica global — entre autocracias em ascensão e degenerações democráticas —, mas que também está no coração de muitos dos textos que vamos tratar’’, diz Sinibaldi. Para ele, ler é um ato vital das democracias: um exercício de escuta, multiplicação de vozes e exposição à diferença, especialmente em tempos de polarização digital.

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A programação se estende por mais de 100 eventos — diálogos, aulas, mesas redondas, leituras e exposições — e mistura olhares locais e internacionais. Entre os nomes confirmados estão autores de grande apelo popular e crítico, como Niccolò Ammaniti, que lançou recentemente novo romance, além de Stefania Auci, Maurizio De Giovanni, Roberto Saviano e o cartunista Zerocalcare, presença afetiva que muitos já comparam ao lugar que Andrea Camilleri ocupava na festa.

O festival não se limita às celebridades: Sinibaldi destaca o espírito de descoberta como eixo da experiência. ‘‘Em Libri Come você pode acompanhar nomes consagrados, mas também ceder à curiosidade por vozes novas, menos conhecidas e surpreendentes’’, observa. A pluralidade de perfis é parte do reframe que a festa propõe: literatura como espelho do nosso tempo e arena para imaginar futuros compartilhados.

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O evento também abre janelas para debates geopolíticos e culturais. Entre os convidados internacionais estão o politólogo americano Yascha Mounk, a historiadora e jornalista Anne Applebaum — especialista nas dinâmicas do Leste europeu — e o escritor Tahar Ben Jelloun, que traz um olhar sobre o Médio Oriente. A programação inclui ainda um ato de encerramento atribuído a uma escritora iraniana de grande relevância, cuja presença aguarda confirmação oficial, segundo Sinibaldi.

Mais do que uma sucessão de encontros, Libri Come quer funcionar como um espaço público de diálogo cultural. Em um momento em que as mídias sociais encurtam o debate e reforçam bolhas, a festa propõe um contraponto: um terreno onde o encontro com o outro é prática estética e política. Ler, ouvir e conversar transformam-se em pequenos atos de cidadania ativa.

Para os organizadores, a missão é clara: provocar reflexão, ampliar repertórios e alimentar a ideia da leitura como gesto coletivo. Se o festival é um roteiro na paisagem literária italiana contemporânea, sua edição de 2026 busca também ser um mapa para entender tensões globais — e reafirmar que a literatura permanece uma forma de resistência, memória e invenção comunitária.

Quem for ao Auditorium Parco della Musica entre 20 e 22 de março encontrará um caleidoscópio de vozes e formatos, onde a palavra ‘‘democracia’’ ecoa não só como conceito, mas como prática: ouvir, confrontar, compartilhar. Em tempos de incerteza, esta é a promessa de Libri Come: transformar o encontro com os livros num gesto público de esperança e atenção.

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