Litfiba no Primo Maggio: Piero Pelù promete tocar na “TeleMeloni” e critica a apatia de artistas

Litfiba volta ao Primo Maggio com a formação histórica; Piero Pelù promete tocar na 'TeleMeloni' e critica a falta de coragem política entre artistas.

Litfiba no Primo Maggio: Piero Pelù promete tocar na “TeleMeloni” e critica a apatia de artistas

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Litfiba no Primo Maggio: Piero Pelù promete tocar na “TeleMeloni” e critica a apatia de artistas

Por Chiara Lombardi — Em um gesto que mistura reencontro histórico e posicionamento político, a banda florentina Litfiba volta ao palco do Concerto del Primo Maggio na formação original dos anos 80. Piero Pelù garante que “suoneremo a TeleMeloni” — e reforça que a presença será, literalmente, no coração do evento.

O retorno da formação clássica — com Ghigo Renzulli, Antonio Aiazzi e Gianni Maroccolo ao lado de Pelù — nasce das comemorações dos 40 anos de 17 Re. A campanha inclui um tour que, a partir de junho, tocará o disco na íntegra: “uma aposta, porque muitas músicas eram quase impossíveis de reproduzir ao vivo”, comenta o vocalista.

Na sexta-feira antecedendo as apresentações, será lançada a faixa-título que até então não constava no álbum e que foi finalmente concluída. Segundo Pelù, não se trata de uma operação de nostalgia: a canção, mesmo nascida das cinzas de um tema antigo, transformou-se substancialmente e ganhou versos que reverberam hoje com força — como “um homem está perdido sem a memória” e “o homem laranja faz o patrão”.

Esse lirismo é sintoma da tradição de engajamento social do grupo. Pelù não evita palavras duras ao diagnosticar um “período concentrado de abusos de poder por parte de uma tecnocracia assassina”: cita figuras e cenários globais — Netanyahu, Trump, Putin, ayatolás, a Coreia do Norte, a catástrofe em Sudão, conflitos regionais na Ásia — como evidência de um mundo onde “os prepotentes tentam varrer tudo”.

“Nós artistas contamos zero, mas ainda temos voz e o dever de nos posicionarmos”, diz Pelù, acrescentando que este tipo de coragem vem faltando a muitos no meio artístico, com raras exceções como Springsteen. Na prática, ele atua: organiza há dois anos o concerto S.O.S Palestina, marcado para 20 de junho em Florença, para angariar fundos para a população palestina.

O frontman não se contém ao criticar personalidades e situações — do que chama de um “cara com peruca laranja” que provoca danos econômicos e sociais, até antigas e novas feridas históricas — e sugere que verdades hoje vazam aos poucos, como arquivos de escândalos que emergem com lentidão.

Ao mesmo tempo, Pelù rejeita a narrativa de que os jovens estejam alienados pelas redes. Ele celebra a participação deles em um recente referendo e afirma orgulho pelas duas filhas, lembrando o impacto do isolamento vivido durante a pandemia. “É preciso ver além do meme, reconhecer a memória coletiva”, diz, projetando a banda como um espelho do nosso tempo — um roteiro oculto que conecta música e responsabilidade cívica.

Na confluência entre espetáculo e militância, a presença dos Litfiba no Primo Maggio funciona como um pequeno terremoto cultural: não apenas um retorno musical, mas um reframe da realidade em forma de canção e posicionamento.