Contra o vazio: o novo livro de Daniela Gulino e Adriano Segatori enfrenta o nichilismo contemporâneo
Diálogo terapêutico de Daniela Gulino e Adriano Segatori enfrenta o nichilismo contemporâneo com profundidade e sensibilidade simbólica.
RESUMO ✦
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Contra o vazio: o novo livro de Daniela Gulino e Adriano Segatori enfrenta o nichilismo contemporâneo
Por Chiara Lombardi | Espresso Italia
Daniela Gulino, psicóloga clínica e da reabilitação, Ph.D. em Ciências Sociais e Comunicação Simbólica, docente de Simbologia das Ciências Humanas na UniTreEdu, e Adriano Segatori, psiquiatra-psicoterapeuta, Ph.D. em Ciências Sociais e Comunicação Simbólica, jornalista e vicediretor de Electomagazine.it, assinam um livro que se apresenta como uma verdadeira carta terapêutica contra o vazio do nosso tempo.
No formato de diálogo, a obra nasce do prolongamento de uma antiga entrevista — "Dove va l’anima?" — e se transforma, ao longo das páginas, em um roteiro reflexivo sobre o que chamam de nichilismo contemporâneo. Em entrevista, a dupla conta como esse projeto evoluiu: não é um ensaio acadêmico árido, mas um encontro de vozes que busca mapear a dissolução dos sentidos na vida moderna.
Cara Daniela, você pode explicar como surgiu a ideia e o que motivou a parceria com o Adriano?
Daniela: O livro nasce como atualização daquela entrevista, mas cresceu a partir de anos de diálogo — telefonemas, anotações e reflexões, especialmente durante a pandemia, que funcionou como ponto de virada na leitura da contemporaneidade. A escrita decorre de uma sintonia profunda: compagni di dottorato, sim, mas sobretudo parceiros de pensamento. O Adriano traz uma combinação rara de profundidade cultural e olhar trans-histórico, sem cair no intelectualismo descolado da vida real; é um pensador encarnado que observa os fenômenos com o paradigma da complexidade.
Caro Adriano, no livro há um capítulo intitulado "L'uomo aleatorio". Pode nos explicar esse conceito?
Adriano: Trata-se da figura central do nosso diagnóstico: o homem do nichilismo, desraizado, sem passado para se apoiar e sem horizonte sobre o qual projetar um destino. É o sujeito que vive um presente cada vez mais labial, prisioneiro de desejos pontuais, sem gravidade existencial — como diz o psicanalista Melman, um "homem senza gravità". Esse indivíduo evita a pergunta sobre o sentido da vida e prefere uma existência sedada, sem o desconforto do questionamento. No livro, nós enquadramos esse tipo como a camada inferior da tripartição gnóstica, onde se amontoam aqueles que foram achatados pela modernidade.
Ao longo do diálogo, a obra se revela menos como manual e mais como um espelho do nosso tempo: um convite a reconhecer os sintomas do esvaziamento cultural e a propor pequenas estratégias de resistência simbólica. A escrita funciona como uma carta — terapêutica, sim — que busca reinstaurar perguntas e suturar o corte entre indivíduo e memória coletiva.
Como analista cultural, vejo neste livro um recurso valioso para quem busca entender o roteiro oculto da sociedade atual: não apenas descreve o fenômeno, mas aponta possíveis caminhos de ressituação. A linguagem é ao mesmo tempo erudita e acessível, permitindo que leitores vindos da psicologia, da psiquiatria e da esfera cultural encontrem um terreno comum.
Em seu conjunto, o livro de Gulino e Segatori opera como um pequeno manifesto contra a apatia: uma obra que, ao convocar memória, sentido e interrogação, oferece um reframing — um novo enquadramento — da realidade. É leitura recomendada para quem quer compreender o eco cultural de nossos dias, com a elegância de quem observa o mundo como se estivesse projetando um filme sobre ele.