Matilda De Angelis sobre 'La Legge di Lidia Poët': “O feminismo é de todos; não sou a favor de quotas e ainda penso sobre boicote aos David”

Matilda De Angelis celebra o fim de 'La Legge di Lidia Poët' na Netflix: feminismo coletivo, reservas sobre quotas e dúvida sobre boicote aos David.

Matilda De Angelis sobre 'La Legge di Lidia Poët': “O feminismo é de todos; não sou a favor de quotas e ainda penso sobre boicote aos David”

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Matilda De Angelis sobre 'La Legge di Lidia Poët': “O feminismo é de todos; não sou a favor de quotas e ainda penso sobre boicote aos David”

Matilda De Angelis apresentou em Roma a terceira e última temporada de La Legge di Lidia Poët, disponível em exclusivo no Netflix a partir de 15 de abril. A atriz, que encarna a pioneira do direito italiano, descreve esse capítulo final como um fechamento de ciclo que a transformou profundamente: “Este papel mudou a minha vida, tanto profissional quanto pessoal”, disse ela, com a serenidade de quem aprendeu a escutar o próprio espelho.

A nova temporada, composta por seis episódios, dirige-se para um desfecho histórico: acompanha simbolicamente a trajetória que levará Lidia Poët até o momento em que, em 1920, ela finalmente vestirá a toga. Escrito por Guido Iuculano e Davide Orsini e produzido por Matteo Rovere, o elenco conta com nomes como Eduardo Scarpetta, Pier Luigi Pasino, Sara Lazzaro, Gianmarco Saurino, Liliana Bottone e Ninni Bruschetta. A direção foi assinada por Letizia Lamartire, Pippo Mezzapesa e Jacopo Bonvicini.

Na tela, a Turim da virada do século torna-se um palco de confrontos: as partituras sociais e legais apertam os corpos e as vozes, e Lidia – obstinada, orgulhosa e visionária – disputa não apenas o próprio direito de existir como profissional, mas muda o rumo de uma narrativa coletiva. “Se continuarmos a lutar, algo vai mudar”, resume a protagonista. É essa convicção coletiva que a série transforma em drama: a luta deixa de ser íntima e passa a ser um movimento social, um refrão que se espalha pela cidade como uma trilha sonora insistente.

Sobre o universo político e cultural que envolve o papel, Matilda De Angelis fez uma leitura contemporânea. Para ela, o feminismo “é uma luta de todas e todos” — uma linguagem viva que incorpora novas identidades, incluindo o transfeminismo. “É uma língua em evolução; não sei se estamos a retroceder ou se certas dinâmicas sempre existiram, mas acredito profundamente que a batalha é coletiva. Acho que Lidia também veria assim”, afirmou, com o gesto de quem transforma uma personagem num espelho do nosso tempo.

Ao mesmo tempo, De Angelis disse ser avessa a forçamentos: declarou-se desconfortável com um uso acrítico de quotas rosas como solução única. Sobre a hipótese de boicotar os David (referindo-se aos prêmios David di Donatello), a atriz afirmou que ainda não tomou uma decisão definitiva. E, quando questionada sobre Silvia Salis, comentou positivamente a sua atitude contrária a políticas de figuras como Meloni, numa breve declaração que aponta a artista também como observadora das disputas civis contemporâneas.

“Interpretei Lidia por cinco anos e nunca imaginei a responsabilidade que uma protagonista de série longa carrega”, refletiu Matilda. “É algo poderoso e difícil. Eu faria tudo de novo, mas agora saberia como me posicionar.” Ao despedir-se da personagem, ela admite que a deixará ir, mas que Lidia permanecerá como parte de seu repertório íntimo: um eco cultural que molda escolhas e olhar.

Em termos estéticos, a temporada final é descrita pelos autores como “um ato de resistência em seda e veludo”: a ambientação sabauda de Turim converge com um roteiro que amplia o foco para as tensões sociais e para a emergência de uma modernidade que reclama espaço. Para o público, resta a promessa de um encerramento que honra a pioneira e projeta perguntas — sobre memória, direitos e o roteiro oculto da sociedade — tão pertinentes hoje quanto há um século.