Melissa Chiu assume a direção do Guggenheim em Nova York: uma virada global na era das coleções asiáticas

Melissa Chiu será a nova diretora do Guggenheim em NY a partir de setembro; trajetória no Hirshhorn e foco em arte asiática reconfiguram o museu.

Melissa Chiu assume a direção do Guggenheim em Nova York: uma virada global na era das coleções asiáticas

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Melissa Chiu assume a direção do Guggenheim em Nova York: uma virada global na era das coleções asiáticas

Por Chiara Lombardi — A partir de 1º de setembro, Melissa Chiu será oficialmente a nova diretora do Solomon R. Guggenheim Museum em Nova York, substituindo Mariët Westermann, que está no cargo desde junho de 2024. A nomeação marca um movimento significativo na governança de uma das instituições museológicas mais icônicas do mundo, num momento em que a arte contemporânea global redesenha fronteiras e narrativas.

Chiu traz para o Guggenheim um histórico consolidado na promoção da arte asiática e asiático-americana. Desde 2014, ela dirige o Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, o museu nacional de arte moderna ligado à Smithsonian Institution em Washington, D.C. Em sua gestão no Hirshhorn, obteve resultados expressivos: mais do que dobrou a presença de público, elevou a captação de recursos em 75%, garantiu duas das maiores doações em dinheiro da história da instituição e liderou a reestruturação do jardim do museu — um projeto de 68 milhões de dólares com o artista Hiroshi Sugimoto, cuja abertura está prevista para outubro.

Antes de sua passagem por Washington, entre 2001 e 2014, Chiu foi Museum Director e Senior Vice President, Global Art Programs da Asia Society em Nova York, coordenando programas nas sedes de Nova York, Houston e Hong Kong. Essa trajetória reforça sua experiência em operar em palcos culturais transnacionais, uma competência cada vez mais necessária para instituições com alcance global como o Guggenheim.

Enquanto a sucessão formal no Hirshhorn é definida, o vice-diretor Aaron Seeto assumirá interinamente a direção do museu em Washington. A transição aponta para uma continuidade administrativa, mas também para uma possível mudança de foco curatorial que acompanha o novo comando do Guggenheim.

Importante notar que Mariët Westermann, a primeira mulher a assumir o duplo cargo de diretora e CEO do conjunto Guggenheim, não deixará a organização. Em vez disso, sua atuação será redirecionada para supervisionar as várias sedes globais do instituto, incluindo o aguardado museu projetado por Frank Gehry na ilha de Saadiyat, em Abu Dhabi — um empreendimento cuja abertura, após repetidos adiamentos, é prevista para este ano.

Como observadora do cenário cultural, vejo nessa nomeação um reframe do roteiro institucional: é como se o Guggenheim ajustasse seu foco de câmera para capturar com mais precisão as histórias do Pacífico e da diáspora asiática, ao mesmo tempo em que gerencia a expansão física e simbólica em direção ao Oriente Médio. Em outras palavras, a escolha de Melissa Chiu pode ser lida como um espelho do nosso tempo — onde coleções, doações e ambições geopolíticas se entrelaçam no destino dos museus.

Esta transição meteórica convida reflexões sobre representatividade, diplomacia cultural e o papel das grandes instituições na curadoria da memória coletiva. O roteiro oculto da sociedade, novamente, encontra no museu um palco onde se encenam as prioridades do presente.