Mollicone defende que docufilm sobre Giulio Regeni merecia financiamento e oferece exibição na Câmara

Mollicone afirma que o docufilm sobre Giulio Regeni merecia financiamento e oferece exibição na Câmara, criticando narrativas difamatórias.

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Mollicone defende que docufilm sobre Giulio Regeni merecia financiamento e oferece exibição na Câmara

Por Chiara Lombardi – Em um desdobrar que mistura política cultural e memória pública, o presidente da Comissão Cultura da Câmara, Federico Mollicone, assumiu posição firme sobre as recentes controvérsias que envolveram o financiamento de um docufilm sobre Giulio Regeni. Mollicone afirmou que a produção "merecia ser financiada pelo tema" e classificou como "retrospecções falsas e difamatórias" as narrativas que circularam nos últimos dias.

Em tom de conciliação institucional, o parlamentar – também responsável por Cultura e Inovação do FdI – disse nunca ter sabido, previamente, da existência do documentário: "Sou daqueles que acha que devemos ir até o fim para obter a verdade. Como já expliquei, não sabia da existência de um documentário sobre Giulio Regeni. Soube apenas pelos jornais, depois das polêmicas suscitadas por Procacci".

Mais do que palavras de defesa, Mollicone ofereceu um gesto prático: a disponibilidade para organizar, na Câmara, a exibição do filme seguida por um debate com os pais de Regeni. Ele citou precedentes como as projeções promovidas no Parlamento de títulos que transitam entre história e memória — "Eredi della Shoah", "Operazione Batiscafo Trieste", "L'uomo dal Fiore in Bocca", "Remember this", além de docufilmes dedicados a Capucci, a Vittoria Ottolenghi e à tragédia de Fiumicino — para sublinhar que esses eventos não são tribunas de um lado político, mas exercícios de pluralismo e reflexão pública.

Mollicone advertiu ainda contra a politização do tema, acusando que isso "envenena o clima" num momento em que está em curso uma reforma legislativa do setor audiovisual — uma lei delega ao Governo o reordenamento das normas sobre cinema e audiovisual, sem bloquear o tax credit. Para ele, é preciso preservar o debate técnico e cultural justamente quando se reescrevem as regras do jogo.

Sobre o processo decisório, o presidente lembrou que as comissões ministeriais encarregadas da seleção de projetos foram constituídas segundo a Lei 220/2016, promulgada no ministério de Franceschini, e que atuam com independência técnico-procedimental. Citou ainda casos de filmes inicialmente rejeitados por comissões que depois se tornaram fenômenos nacionais — como "C'è ancora domani" de Cortellesi e "Il Nibbio" dedicado a Nicola Calipari — para ilustrar a imprevisibilidade e a importância de não fechar portas à produção audiovisual.

Por fim, Mollicone anunciou que pedirá, na lei de delega, um emendamento para revisar os critérios dos contributos seletivos e que já instruiu sua assessoria jurídica a avaliar eventuais medidas contra reconstruções que considera caluniosas: "Continuo a ler reconstruções fantasiosas — até com meu nome no título. Dei mandato aos meus advogados para avaliar intenções difamatórias".

Este episódio funciona como um espelho do nosso tempo: cinema e documentário não são apenas artefatos estéticos, mas cartografias de memória e instrumentos de pressão simbólica. A oferta de uma sala na Câmara para projetar o docufilm sinaliza uma tentativa de transformar o litígio público em diálogo — um convite para que a narrativa sobre Regeni encontre, no espaço institucional, o espaço do confronto e da busca por verdade.