Morre Cinzia Oscar, voz da canção napolitana e figura da cena neomelodica aos 63 anos

Morre Cinzia Oscar, voz da canção napolitana e figura da cena neomelodica, aos 63 anos. O filho Marco Calone anunciou o falecimento.

Morre Cinzia Oscar, voz da canção napolitana e figura da cena neomelodica aos 63 anos

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Morre Cinzia Oscar, voz da canção napolitana e figura da cena neomelodica aos 63 anos

Por Chiara Lombardi — A cidade de Nápoles perde hoje uma de suas vozes mais recognoscíveis: morreu em Nápoles, aos 63 anos, Cinzia Oscar, nome artístico de Vincenza Testa. O anúncio foi feito pelo filho, o também cantor Marco Calone, que nas redes sociais escreveu: "Mamma sono morto insieme a te. Mi hai insegnato tutto, tranne a vivere senza di te". A notícia ressoa como um pequeno corte no roteiro coletivo da cultura popular napolitana — um eco que lembra como a canção é, muitas vezes, o espelho de uma comunidade.

Cinzia Oscar nasceu em 20 de outubro de 1962 em Nápoles e entrou em cena ainda menina. Aos sete anos subiu ao palco com o pai, integrante do Trio Oscar, substituindo o irmão doente e inaugurando um percurso que mesclaria música e teatro. Foi como imitadora mirim, ao lado de nomes do entretenimento italiano como Gigi Sabani e Pietro De Vico, que começou a desenhar-se o seu caminho.

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O seu debut discográfico data de 1979, com o 45 rpm "Caro diario/Vita 'e 'nfamità", e dali emergiu uma carreira dedicada à tradição da canção napolitana e ao circuito neomelodico. Entre os títulos que a tornaram familiar ao público figuram "Nun sò na bambola", "Caro figlio mio", "'Na lettera", "Maledizione", "Gesù, Giuseppe, Sant'Anna e Maria", "E' colpa toia" e "Gli amanti". A sua discografia inclui álbuns como "Io napoletanissima" (1984), "Ancora insieme" (1985), "Storie d’amore" (1990), "'Na lettera" (1994), "Lady Oscar" (1996) e "Unica interprete" (2017).

Ao longo da carreira, Cinzia Oscar participou em edições do Festival di Napoli e consolidou parcerias importantes: cantou com o ícone da sceneggiata Mario Merola — com quem apresentou em 2002 o tema "Si tu papà" — e gravou duetos com Franco Ricciardi, Franco Moreno e Pino Mauro. A sua voz e presença cênica cruzaram-se ainda com o universo televisivo: em 2015 participou do programa "Teo in the Box", apresentado por Teo Teocoli na Rai 3.

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Em 2016, Cinzia voltou aos holofotes por outra razão, defendendo direitos autorais: anunciou intenção de ação legal contra os produtores da série "Gomorra - La serie", alegando uso não autorizado de sua canção "Nun so' na bambola". Esse episódio revela a tensão contemporânea entre memória cultural e indústria do entretenimento — o roteiro oculto que regula como sons populares são apropriados e reapropriados.

A vida pessoal de Cinzia Oscar também se entrelaçou com a cena neomelodica. Teve um relacionamento com o cantor Franco Calone, pai de seu filho Marco Calone. Mãe e filho gravaram juntos, entre eles o dueto "T'aggia proteggere", presente no álbum "Nato tra le note" (2011). Nos últimos anos, ela retornou aos palcos teatrais, protagonizando em 2018 as peças "Nu Bambeniello" e "Tre San Giuseppe" de Gaetano Di Maio.

Ao recordar Cinzia Oscar, não é apenas uma voz que lamentamos, mas um fragmento da memória coletiva napolitana: uma intérprete cuja trajetória mesclou tradição e espetáculo, e cuja discografia serviu como arquivo sentimental de uma cidade. Em termos culturais, sua passagem reafirma como a canção napolitana — entre clássicos e neomelodias — continua sendo um mapa emocional que orienta afetos, identidades e narrativas comunitárias.

A família e a comunidade musical ainda não divulgaram detalhes sobre cerimônia ou homenagens. Seguiremos acompanhando e atualizaremos assim que houver informações oficiais.

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