Morre Caterina Bottari Lattes, a visionária por trás da Fundação Bottari Lattes

Morre Caterina Bottari Lattes, mecenas e presidente da Fundação Bottari Lattes; criadora do Prêmio Lattes Grinzane e promotora cultural das Langhe.

Morre Caterina Bottari Lattes, a visionária por trás da Fundação Bottari Lattes

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Morre Caterina Bottari Lattes, a visionária por trás da Fundação Bottari Lattes

É com sentimento de perda cultural que anunciamos a morte de Caterina Bottari Lattes, mecenas e colecionadora que presidiu a Fundação Bottari Lattes. Ela faleceu no domingo, 2 de agosto, aos 89 anos, no Hospital Michele e Pietro Ferrero, em Verduno, província de Cuneo. A notícia foi divulgada comovidamente pela própria fundação, cuja sede se encontra em Monforte d'Alba.

Viúva do pintor, escritor e editor turinês Mario Lattes (1923-2001), Caterina transformou o legado do marido numa instituição que projetou as Langhe no mapa cultural europeu. Entre as iniciativas mais duradouras está a aquisição do antigo Prêmio Grinzane Cavour, rebatizado e relançado como Prêmio Lattes Grinzane, simbolizando o desejo de preservar e reinventar patrimônios literários e regionais.

Quem conheceu Caterina recordará seu empenho incansável em difundir a cultura e a arte. Desde 2009, quando fundou oficialmente a instituição dedicada a Mario Lattes, ela sonhou em ampliar o reconhecimento do artista e editor que foi seu companheiro por trinta anos. Esse sonho virou um roteiro de acontecimentos culturais que, como num filme bem costurado, revelou desdobramentos inesperados e frutos artísticos relevantes.

A sede da fundação tornou-se, por quase duas décadas, um verdadeiro cruzamento de belezas: exposições de arte, mostras fotográficas e encontros que trouxeram ao Alba nomes consagrados ou a redescobrir. Entre os artistas exibidos em mostras temporárias estiveram Carlo Levi, Italo Cremona, Carol Rama e Amedeo Modigliani, reforçando a programação que deu sequência ao trabalho de promoção cultural iniciado por Mario Lattes.

Nascida em Pisa a 24 de junho de 1937, Caterina mudou-se ainda criança para Turim, onde concluiu o Liceo Classico D'Azeglio. Estudou filosofia em Roma e, de volta à capital piemontesa, trabalhou por dez anos na editora UTET, colaborando com Alberto Basso numa enciclopédia musical. Posteriormente integrou a editora Lattes, onde consolidou sua ligação com o mundo editorial e acabou por se casar, em segundas núpcias, com Mario Lattes. Foi presidente do conselho de administração da editora Lattes e, em novembro de 2009, criou a Fundação Bottari Lattes.

Pela literatura, que teve atenção especial em sua trajetória, Caterina procurou valorizar o patrimônio das Langhe mantendo uma vocação internacional. O Prêmio Lattes Grinzane trouxe à região autores de mídia mundial, entre eles Haruki Murakami, Jonathan Safran Foer, Margaret Atwood, Ian McEwan, Amos Oz, Maaza Mengiste e Martin Amis, além de nomes italianos como Nicola Lagioia, Alessandro Baricco e Claudio Magris. Sua visão também privilegiou a proximidade entre jovens e cultura, com iniciativas que vão do Vivolibro, voltado às crianças, a programas educativos que procuraram redesenhar a relação entre público e literatura.

Ao refletir sobre a trajetória de Caterina, percebemos mais do que a história de uma mecenas: vemos um espelho do nosso tempo, alguém que soube converter memória e afeto em instituição pública de cultura. Sua ação funcionou como um reframe da realidade local, projetando as nuances das Langhe como cenário de transformação. A Fundação Bottari Lattes permanece como testemunho vivo desse roteiro cultural que ela ajudou a escrever.

A Fundação expressou, em sua nota de pesar, a gratidão por um trabalho que teve ramificações inesperadas e impacto duradouro. O legado de Caterina é, acima de tudo, uma rede de encontros, leituras e exposições que continuará a inspirar futuras gerações.