Paolo Belli estreia em teatro com 'Pur di far spettacolo' e realiza sonho de infância
Paolo Belli estreia 'Pur di far spettacolo' no Parioli Costanzo: música, histórias e dança com Anastasia Kuzmina, realização de um sonho de infância.
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Paolo Belli estreia em teatro com 'Pur di far spettacolo' e realiza sonho de infância
Por Chiara Lombardi — Em um espetáculo que mistura música, narrativa e comicidade, Paolo Belli transforma o palco em um espelho do seu próprio tempo e realiza aquilo que define como “o sonho que tinha quando criança”. A montagem Pur di far spettacolo, apresentada no Parioli Costanzo de Roma no domingo 12 de abril, inaugura um roteiro íntimo e público ao mesmo tempo: um artista que interpreta a própria biografia com leveza e ironia.
O show, assinado em parceria com Alberto Di Riso, é uma espécie de reframe da carreira de Belli: alterna prosa, canções e pequenos sketches que devolvem ao espectador a sensação de estar diante de um filme biográfico contado em capítulos curtos. Há humor, é verdade, mas também revelações afetivas — anedotas que explicam pistas da sua trajetória e gestos de palco que se confundem com memórias.
Ao lado do cantor e apresentador está a dançarina Anastasia Kuzmina, a mesma que o “massacrou” — nas palavras de Belli — durante a sua participação na última edição de Ballando con le stelle. O artista assume a piada: é um pouco masoquista por permitir que a parceira repita a experiência ao vivo. Mas a escolha é fruto de reconhecimento artístico: Anastasia não só dança, como canta e atua — trabalhou inclusive com Carlo Verdone — e contribui para trazer à cena histórias curiosas do programa de televisão.
Apesar da nova etapa como protagonista teatral, Paolo Belli garante que não abandona a televisão: Milly Carlucci já lhe pediu para regressar ao júri do dance show na próxima edição, mas ele afirma com sinceridade que “como bailarino já dei o meu”. Essa ambivalência entre o estar e o parecer resume bem o artista: rotas cruzadas entre palco, música e televisor.
O espetáculo, que segue em turnê por Itália e passará por Barletta em 26 de abril, é também a evolução natural do projeto Pur di fare commedia, bem recebido nas temporadas anteriores com vários sold-outs. Aqui, Belli amplia o relato, tornando-o mais musical e mais humano, com homenagens a mestres como Jannacci e Carosone e interpretações de seu repertório.
Entre os relatos mais simbólicos está o do carinho físico do público: em vez do pedido de autógrafo, ele conta que recebe tapas fortes nas costas — “pizze esagerate” — um gesto de afeição curioso que ele transforma em cena. Há ainda a ironia de um percussionista que “o ‘pica’ no palco”, um episódio que vira material cômico e musical. Tudo o que sobe ao palco, diz Belli, provém da verdade.
No centro do espetáculo permanece a contradição íntima do artista: fora dos holofotes, admite ser “o homem mais inseguro do mundo”; sob as luzes, encontra clareza e serenidade. É essa passagem da inquietude para a calma que faz do show menos um simples calendário de números artísticos e mais um roteiro de transformação — aquele roteiro escondido que a cultura popularescreve sobre suas identidades.
Pur di far spettacolo funciona, assim, como um pequeno manifesto sobre o ofício de entreter: celebra a versatilidade de um artista que transita entre teatro, televisão e música, enquanto convida o público a reconhecer nos episódios pessoais um eco mais amplo da nossa própria memória cultural.