Patty Pravo encanta o Brancaccio com o 'Opera Tour' e celebra 60 anos de carreira
Patty Pravo encanta o Teatro Brancaccio em Roma com o Opera Tour, celebrando 60 anos de carreira entre clássicos e repertório do novo álbum.
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Patty Pravo encanta o Brancaccio com o 'Opera Tour' e celebra 60 anos de carreira
Por Chiara Lombardi — No palco do histórico Teatro Brancaccio em Roma, Patty Pravo ofereceu uma noite que foi ao mesmo tempo celebração e reflexão sobre uma trajetória artística singular. A cantora veneziana, após a recente aparição no Festival de Sanremo com a canção "Opera", voltou às turnês com um espetáculo que mistura o novo e o consagrado, e que funciona como um espelho do nosso tempo e um reframe da sua própria história.
O concerto, parte do Opera Tour que começou oficialmente em 8 de abril de 2026, foi recebido com carinho pelo público do Brancaccio. Plateia e artista dialogaram como antigos coadjuvantes de uma cena que atravessa décadas: chamados pelo seu nome de batismo — Nicoletta Strambelli — os aplausos longos testemunharam uma familiaridade que ultrapassa a mera idolatria e toca a memória afetiva coletiva.
Ao longo de cerca de uma hora e meia, Pravo transitou com elegância entre faixas do novo álbum e clássicos imortais. O repertório incluiu homenagens que revelam o roteiro oculto das suas influências: a comovente dedicatória a Ornella Vanoni — a quem chamou carinhosamente de "Ornellek" — em "Ti lascio una canzone"; o momento de comunhão com "Il mio canto libero" de Lucio Battisti, cantado em pé pelo público; e a interpretação de "E mi manchi tanto", dos Alunni del Sole.
Clássicos atemporais como "La bambola", "Ragazzo triste", "Pazza idea", "E dimmi che non vuoi morire" e "Pensiero stupendo" reafirmaram por que a artista é considerada uma diva anticonformista: sua voz — indefinível no tempo — e sua leitura das canções funcionam como uma semiótica do viral que resiste à obsolescência.
Destaque para "Ho provato tutto", escrita por Francesco Bianconi (frontman dos Baustelle) e incluída no disco: a interpretação de Pravo ofereceu uma fotografia nítida das experiências mais íntimas de sua vida, mostrando que o espetáculo não é apenas um desfile de sucessos, mas um mapa emocional sincero.
Musicalmente, o show foi sustentado por uma formação coesa: Luca Proietti (teclados), Daniele Natrella (bateria), Giuseppe Iodice e Alessandro Chimienti (guitarras), Elisabetta Pasquale (baixo) e Cristiana Polegri (sax). A produção do álbum, assinada por Taketo Gohara, completou o quadro de um trabalho que, em quase dois anos de gestação, reuniu veteranos e jovens compositores sensíveis.
Antes de sair em turnê, Pravo apresentou o álbum em espaços museais — Gallerie d'Italia (Milão e Nápoles), Palazzo Medici Riccardi (Florença) e Galleria Nazionale d'Arte Moderna e Contemporanea (Roma) — com sessões esgotadas, reforçando a ideia de que sua obra circula tanto nas salas de concerto quanto nos corredores da memória cultural.
O concerto no Brancaccio foi, portanto, mais que um evento: foi a reafirmação de uma existência artística que permanece três passos à frente, livre e intencional. Assistir a Patty Pravo hoje é observar o roteiro oculto da música italiana se desdobrar, e reconhecer nela o eco cultural de uma era e a capacidade de transformar a própria biografia em obra.