Pierluigi Diaco conta dor pela perda da mãe Giovanna: 'Perdi o sentido da vida'
Pierluigi Diaco fala da morte da mãe Giovanna, depressão e recuperação após desmaio ao vivo; a presença dela segue moldando sua vida.
RESUMO ✦
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Pierluigi Diaco conta dor pela perda da mãe Giovanna: 'Perdi o sentido da vida'
Em uma fala íntima e carregada de emoção no sofá de Mara Venier, Pierluigi Diaco retomou, em Domenica In, o trauma profundo que marcou sua vida: a morte da mãe, Giovanna, ocorrida no ano passado, em 23 de junho — ironicamente, no dia do seu aniversário. A figura materna, que ele define como o 'pilar' da família, deixou um vazio que reformatou sua relação com o trabalho, com o cotidiano e com a própria narrativa de existência.
Diaco descreveu em detalhes os últimos momentos: um ictus que levou a complicações graves, a internação, e uma intervenção de trombólise que inicialmente deu esperanças. Ainda assim, no leito de terapia intensiva, os médicos constataram perda da fala e previsão de paralisia parcial. Foi ali, naquele cenário de liminaridade entre vida e morte, que um infarto fulminante apagou o coração de Giovanna.
Em gesto carregado de simbologia, Pierluigi Diaco relatou que, antes de assimilar a despedida, cortou uma mecha de cabelo da mãe para espalhá-la no mar de Santa Marinella, um lugar que ela amava — um rito pequeno e terrestre para tentar nomear a ausência. Essa cena funciona como uma imagem cinematográfica: o gesto íntimo como cena que tenta fixar um sentido no fluxo do luto.
A perda teve consequências práticas e psicológicas. Diaco admitiu atravessar um quadro depressivo intenso: 'Não conseguia dar significado à vida. Nem trabalhar', contou. Para voltar ao ar em BellaMà (Rai2), recorreu a atendimento psiquiátrico e a uma medicação forte. Lembrou, com sinceridade, que no primeiro dia em estúdio acabou por desmaiar ao vivo — um colapso que testemunha, de modo brutal, o peso do trauma quando o corpo decide interromper a representação social de normalidade.
O processo de recuperação, segundo o apresentador, passou pelo afeto e pela rotina: o apoio da família, do marido Alessio Orsingher, e a retomada gradual do trabalho. Ainda em terapia, ele afirma estar em fase de reconstrução: 'Ela está sempre comigo, nunca se foi'. A declaração tem o tom de quem reconhece que a relação com o falecido não termina com o óbito, mas se transforma em presença interior — uma espécie de eco cultural que molda memórias e escolhas.
Como analista cultural, reconheço nessa narrativa vários níveis de leitura: além do fato jornalístico, é um episódio que revela a fragilidade das rotinas midiáticas diante do luto, o estigma em torno da saúde mental entre figuras públicas, e o modo como pequenos rituais — uma mecha de cabelo lançada ao mar — servem para reatar o fio entre o passado e um futuro incerto. A história de Pierluigi Diaco reflete o roteiro oculto da sociedade contemporânea, onde o espetáculo e a dor pessoal frequentemente se entrelaçam.
Ao final, fica a certeza de que a presença de Giovanna persiste como um fio narrativo e afetivo na vida do apresentador: não como um fim, mas como uma cena que se reelabora constantemente, no off da existência e no despacho público da televisão.