Plasma lança o EP Perdigiorno após Amici: o novo 'cantautorap' de Gênova

Plasma, de Gênova, lança o EP Perdigiorno após Amici: um 'cantautorap' que reivindica a liberdade de ser jovem e mistura rap e canção autoral.

Plasma lança o EP Perdigiorno após Amici: o novo 'cantautorap' de Gênova

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Plasma lança o EP Perdigiorno após Amici: o novo 'cantautorap' de Gênova

Quem acompanhou a edição de 2025 do talent show Amici certamente lembra de Plasma, jovem que ocupa a fronteira entre rap e canção autoral. Nascido em 2001 e batizado Antonio Silvestri, o artista genovês acaba de lançar o EP Perdigiorno, um trabalho que funciona como um espelho do nosso tempo — e também como um manifesto sobre juventude, identidade e performance.

O programa criado e apresentado por Maria De Filippi, que chegou à sua edição final em 17 de maio — data da qual saiu o vencedor de 2026 — revelou uma nova leva de vozes. Entre elas, Plasma emerge como parte de uma geração que respira a tradição do cantautorato e, ao mesmo tempo, reescreve essa tradição com os códigos do rap. Gênova, cidade dos caruggi e de grandes nomes da canção italiana, volta a fornecer o cenário íntimo das histórias pessoais que alimentam a música contemporânea.

Em conversa com a AGI, Plasma conta que "Perdigiorno" nasceu dentro da escola de Amici. O título, que à primeira vista pode carregar uma conotação negativa, é resignificado pelo artista: não é rótulo pejorativo, mas uma reivindicação. "Perdigiorno não sou eu de forma séria — eu me mexo muito e trabalho bastante —, é uma etiqueta que muitas vezes aparece de modo negativo. Nossa geração vive sob pressões, expectativas e a tirania da performance. O mundo das redes, às vezes, disgrega em vez de conectar. Perdigiorno é reclamar a liberdade de ser jovem e de não ter que se definir agora. É um grito de liberdade fora da performance."

Essa reflexão é o roteiro oculto do EP: arte e contemplação contra a lógica do retorno imediato. Em sete faixas, Perdigiorno passeia por sonoridades diversas — de arranjos clássicos a texturas eletrônicas e sintetizadas — e costura dois universos que, para Plasma, são como "pai e mãe": o cantautorato e o rap. O próprio neologismo cantautorap foi usado para definir essa mistura, uma etiqueta que o artista aceita como justa.

Do EP fazem parte os três inéditos apresentados em Amici — "Perdigiorno", "Perdere Te" e "Segreto" — além do single mais recente, "Colore". São canções que tecem narrativas pessoais e paisagens sonoras que remetem aos becos e atmosferas sugestivas de Gênova, traduzindo memória e presente num mesmo fio.

O lançamento de Perdigiorno também chega em um momento em que surge uma nova onda de juventude musical genovesa — nomes como Brash, Olly, Alfa e Sayfe compõem um ecossistema que dialoga com o passado do cantautorato sem renegar a novidade. Para Plasma, essa confluência é uma nova fase, um cenário de transformação em que a linguagem musical se reconfigura.

Como observadora cultural, vejo em Perdigiorno mais do que um EP de estreia: é um reframe da realidade juvenil, uma semiótica do viral que se recusa a ser só rótulo e que prefere ser experiência. Em tempos em que medir valor virou moeda corrente, a escolha de cantar a incerteza e a liberdade equivale a abrir um espaço de resistência estética — e, por isso, merece atenção.