Renzo Arbore e 'L'altra Domenica': a cuna da TV moderna que completou 50 anos

Renzo Arbore e "L'altra Domenica": o programa que, há 50 anos, reinventou os domingos e moldou a TV moderna italiana.

Renzo Arbore e 'L'altra Domenica': a cuna da TV moderna que completou 50 anos

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Renzo Arbore e 'L'altra Domenica': a cuna da TV moderna que completou 50 anos

Por Chiara Lombardi, Espresso Italia. Há aniversários que funcionam como um espelho do nosso tempo: celebram não só uma data, mas um roteiro oculto que moldou a cultura audiovisual. É assim com Renzo Arbore e seu programa seminal "L'altra Domenica", que estreou na segunda rede da Rai em 28 de março de 1976 e virou, nas palavras de Arbore, a culla — a cuna — de muitas primogenitures da televisão moderna.

Híbrido por excelência, o programa misturava quiz, cruciverboni, correspondentes, shows musicais e jornalismo de entretenimento: uma colagem que hoje nos parece óbvia, mas que naquela época representou um verdadeiro reframe da grade dominical. Arbore recorda a emoção do direto — a ousadia de ocupar toda a programação de domingo, retomando e deixando a linha para eventos esportivos — e como aquilo rapidamente se transformou numa explosão de inovação e riso.

O elenco ajudou a definir o tom: do humor imprevisível de Roberto Benigni às performances de Andy Luotto e Mario Marenco, até a inversão de papéis das garotas da tv — que não eram meras vallette, mas sim repórteres em formação, entre elas Milly Carlucci, Isabella Rossellini e Silvia Annichiarico. No campo musical, o programa deu espaço ao batismo televisivo de Vasco Rossi e a concertos memoráveis de nomes como Lucio Dalla e Paolo Conte. É como se tivéssemos, naquele domingo, um set itinerante: saíamos do estúdio e íamos ao encontro das cidades, dos shows, dos filmes — uma televisão toda “out”.

A história por trás da história tem ares de roteiro. Arbore conta que entrou na Rai por um concurso, levando a ideia de um grande telegiornale dello spettacolo — um noticiário de entretenimento que acabou sendo a semente do que viria a ser o programa. A proposta, inicialmente, não foi compreendida. Só quando Massimo Fichera, à frente da nascente Rai2, pediu algo novo, Arbore e Ugo Porcelli deram forma ao projeto que, em três anos, revolucionou a linguagem televisiva.

As anedotas mostram a vitalidade do formato. O pioneirismo nos quiz interativos — como o célebre "Da dove chiami?" — gerou momentos impagáveis: numa ligação ao vivo, Arbore ouviu um insulto parcialmente pronunciado e, na chamada seguinte, respondeu com sagacidade: “Da che fogna chiami?”; uma réplica que desarmou a situação e virou história.

Renzo não perdeu a verve: seu canal renzoarborechannel.tv acumula visualizações e celebrações, como o recente milhão de views de um encontro musical com Arbore e Gino Paoli. Para Arbore, com o elenco certo e jornalistas originais, o modelo de "L'altra Domenica" poderia funcionar hoje — ou, colocado em outras palavras, há um roteiro oculto do sucesso televisivo que continua a ser reaplicável.

Comparado a programas dominicais posteriores, Arbore enfatiza a diferença estética: enquanto formatos como Domenica in se alinham ao “in” — ao que é centrado e doméstico — a sua proposta foi sempre “out”, uma televisão que circulava, que ia até os sets, que respirava as ruas e as cenas culturais. Rai Cultura celebrará esse aniversário com uma maratona no canal Rai Storia, ressuscitando as melhores puntatas e permitindo que uma nova geração veja — e reconheça — as raízes do entretenimento contemporâneo.

Em tempos de streaming e formatos digitais, recordar "L'altra Domenica" é mais do que nostalgia: é entender como certa ousadia formal e editorial pode redesenhar o mapa cultural. Como crítico e observadora, vejo naquele projeto não apenas um programa de variedades, mas um espelho do nosso tempo, uma pequena revolução que ensinou à televisão italiana a rir de si mesma e a expandir seus limites.