Robert Del Naja, do Massive Attack, detido em protesto pró-Palestina em Londres
Robert Del Naja, do Massive Attack, foi detido em protesto pró-Palestina em Trafalgar Square; 212 pessoas presas por apoio à Palestine Action.
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Robert Del Naja, do Massive Attack, detido em protesto pró-Palestina em Londres
Por Chiara Lombardi — Em um episódio que funciona como espelho do nosso tempo, Robert Del Naja, figura central do Massive Attack e reconhecido artista de rua conhecido como 3D, foi detido no último sábado em Trafalgar Square, Londres, durante uma manifestação pacífica em apoio à Palestina organizada pelo grupo Palestine Action.
Segundo relatos, Del Naja estava sentado no chão, entre outros manifestantes, segurando um cartaz com os dizeres: “I oppose genocide, support Palestine Action” — uma mensagem que, traduzida para o contexto político europeu, se tornou símbolo de controvérsia e enfrentamento entre ativismo e legislação. Abordado pela polícia, o músico foi levado em custódia como parte de uma operação que resultou na detenção de mais de 200 pessoas.
As autoridades informaram que 212 manifestantes foram presos acusados de demonstrar apoio a uma organização considerada ilegal. A Palestine Action foi declarada fora da lei pelo governo britânico em julho de 2025 com base numa legislação antiterrorismo que, posteriormente, foi questionada em termos constitucionais — ainda assim, no momento do protesto, a proibição seguia em vigor. A faixa etária dos detidos — segundo a polícia — variou entre 27 e 82 anos.
Antes de ser conduzido, Del Naja afirmou em tom veemente: “Devemos usar estes momentos para protestar, caso contrário o país democrático em que vivemos não representará mais nada.” A frase traduz a tensão entre o ato de dissidência pública e a resposta institucional, um conflito que tem reverberado pela cena cultural europeia desde 2024.
Como artista e ativista, Robert Del Naja personifica um tipo de intervenção estética que extrapola o palco: do grafite às colaborações sonoras, sua trajetória com o Massive Attack sempre dialogou com a memória coletiva e com os cortes políticos do presente. Ver sua detenção durante um protesto pacífico transforma um acontecimento jornalístico em um ponto de inflexão simbólico — o roteiro oculto que articula arte e política num cenário de transformação.
Este episódio coloca em relevo perguntas centrais: até que ponto a criminalização de movimentos de solidariedade redefine o espaço público democrático? E como artistas, cuja linguagem é reflexo e reframing social, podem atuar sem se verem reduzidos à estatística de uma ação policial?
Enquanto a notícia se desenrola, resta acompanhar os desdobramentos legais e culturais: possível liberação dos detidos, repercussão nas redes e nas comunidades artísticas, e eventuais contestações judiciais à nulidade da lei que proscreveu a Palestine Action. Mais do que um incidente, a prisão de Del Naja é um nó narrativo — uma cena que nos convida a encarar o poder simbólico do protesto e o peso das respostas estatais.
Data do relato: 12 de abril de 2026.