Rocco Papaleo em 'Ciao Maschio': “Fui um pai fraco e permissivo, disse poucos ‘nãos’”
Rocco Papaleo diz em 'Ciao Maschio' que foi um pai permissivo; relembra a chegada da televisão e a fé da mãe em Lourdes.
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Rocco Papaleo em 'Ciao Maschio': “Fui um pai fraco e permissivo, disse poucos ‘nãos’”
Por Chiara Lombardi — Em uma conversa que parece um pequeno roteiro sobre memória e identidade, Rocco Papaleo se abriu no programa Ciao Maschio, conduzido por Nunzia De Girolamo. A entrevista, exibida no sábado 21 de março às 17:05 na Rai 1, trouxe reflexões íntimas sobre paternidade, infância e fé — temas que funcionam como um espelho do nosso tempo e do roteiro oculto que molda afetos e escolhas.
Com a humildade de quem revisita cenas antigas da própria vida, Papaleo admitiu: “Sono stato un padre debole, forse fin troppo accondiscendente. Oggi mio figlio è grande, abbiamo un bellissimo rapporto, ma quando era piccolo probabilmente non ho detto tutti i 'no' che avrei dovuto”. Traduzindo esse confessionário: ele reconhece um cuidado que, por terno, foi por vezes permissivo — uma decisão que só se percebe em retrospectiva, quando a casa da memória é iluminada por novos contrastes.
O ator também devolveu ao público um dos seus primeiros grandes fascínios infantis: a chegada da televisão em casa. Lembrando ter tido dois ou três anos, descreveu o eletrodoméstico como um objeto extraordinário que mudou vidas: saiu para avisar uma vizinha, tão impressionado que acreditava ter testemunhado um acontecimento extraordinário. Esse episódio funciona como metáfora: a televisão não foi só aparelho, foi portal de imagens e narrativas que redesenharam o imaginário coletivo.
No fluxo da conversa, Papaleo confessou que nunca imaginou, na infância, que o mundo do entretenimento pudesse ser uma profissão. Era “vivace”, brincalhão e inquieto, mas sem consciência de um futuro artístico programado — como se a vocação fosse um manuscrito que só se descobre enquanto se vive.
Figura central das suas lembranças, a mãe surge com textura e humor: descrita como ansiosa e extremamente atenta, capaz de acionar uma verdadeira “task force” se o filho se atrasasse cinco minutos. Ainda assim, em contraste com a ansiedade protetora, ela nunca lhe cortou as asas; pelo contrário, era também muito divertida — uma presença que equaciona limite e liberdade.
O momento que fecha a entrevista mistura ironia e fé: após uma viagem a Lourdes, onde foi ‘‘sanissima’’ e acabou quebrando a perna, a mãe teve uma resposta inesperada quando Rocco perguntou, com a simplicidade de quem testa crenças: “Ma Lourdes non funziona?”. Ela retrucou com humor resiliente: “La Madonna mi ha dato un tetto… chissà cosa mi doveva succedere”. A frase, além de arrancar um sorriso, revela o poder da fé como narrativa de sentido — um reframing da realidade que transforma infortúnio em proteção.
O depoimento de Papaleo, contado entre leveza e responsabilidade, é uma pequena lição sobre como lembranças pessoais se tornam história compartilhada: um eco cultural que nos lembra que entretenimento e vida íntima estão sempre entrelaçados, e que reconhecer franquezas — como a de ter sido um pai fraco ou demasiado permissivo — é também um ato de maturidade narrativa.


