Mick Jagger admite: “Naquele tempo eu tomava um monte de coisa; hoje o segredo é a prática” — Rolling Stones apresentam Foreign Tongues em Nova York

Rolling Stones apresentam 'In the stars' em NY; Mick Jagger fala sobre a voz e o segredo da longevidade. Álbum 'Foreign Tongues' chega em 10 de julho.

Mick Jagger admite: “Naquele tempo eu tomava um monte de coisa; hoje o segredo é a prática” — Rolling Stones apresentam Foreign Tongues em Nova York

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Mick Jagger admite: “Naquele tempo eu tomava um monte de coisa; hoje o segredo é a prática” — Rolling Stones apresentam Foreign Tongues em Nova York

Por Chiara Lombardi — Em uma noite que misturou nostalgia e espetáculo, os Rolling Stones voltaram a se apresentar no palco público da cultura global para lançar o primeiro fôlego do seu 25º disco. Em Nova York, no salão convertido de um banco, The Weylin, a banda apresentou "In the stars", primeiro single de "Foreign Tongues", álbum que chega em 10 de julho.

A cena tinha algo de cinema: um ex-templo do capital financeiro transformado em set onde os semideuses ingleses — apesar das jaquetas e dos traços marcados pelo tempo — continuam a representar o roteiro oculto do rock. Entre os convidados, chamaram atenção Leonardo DiCaprio com a namorada Vittoria Ceretti, a modelo Christie Brinkley e a atriz Odessa A'zion, que participa do clipe de "In the stars" ao lado de um Jagger rejuvenescido por efeitos visuais.

No encontro com a imprensa e convidados, mediado pelo irreverente Conan O'Brien, emergiram canções que prometem reafirmar a assinatura sonora da banda: "In the stars" soa como um clássico instantâneo, enquanto "Rough and Twisted" retoma o blues-rock do Delta. Dez faixas foram gravadas em um mês no estúdio Metropolis, em Londres; três remanescentes vieram das sessões de "Hackney Diamonds" (2023). Há ainda um punk-rock, "Hit Me in the Head", gravado em Los Angeles, que traz no histórico a presença do saudoso Charlie Watts, e uma sugestão — dizem os músicos — de Watts para que Steve Jordan assumisse a bateria.

Foi também o palco para a franqueza de Mick Jagger. Questionado sobre a manutenção de uma voz “fresca” como a de 1968, Jagger respondeu sem rodeios: “Naquele tempo eu tomava um monte de coisa; hoje o segredo é a prática”. A mistura de humor e autocrítica do frontman soou como uma reflexão sobre longevidade: não apenas um truque de imagem, mas um ritual diário, uma disciplina que preserva o timbre e o gesto performático.

O tom leve da noite teve também seu momento de improviso quando Keith Richards reclamou da acústica e até esqueceu o microfone — cena que provocou a brincadeira de O'Brien sobre colar o microfone no rosto do guitarrista. A dúvida persistente entre fãs e imprensa é se a banda retomará uma grande turnê; no entanto, o Weylin não foi o cenário para essa resposta. Resta aguardar a aparição televisiva de Mick em Jimmy Fallon para possíveis anúncios.

Mais do que um lançamento, a noite confirmou o papel dos Rolling Stones como espelho do tempo: enquanto o mundo fragmenta suas narrativas, a banda insiste em ser a prova de que certos gestos culturais sobrevivem por repetição e reinvenção. Foreign Tongues promete ser um mosaico — 14 peças que conversam com décadas de história musical e com um presente que insiste em revisitar a própria memória.

Sejam críticos ou devotos, os ouvintes encontrarão aí não só riffs e refrões, mas o eco cultural de uma carreira que continua a escrever o roteiro do rock. E, como em um bom filme europeu, o que nos interessa não é só a cena final, mas a razão do corte, o enquadramento que revela por que ainda voltamos a olhar para eles.