Sal Da Vinci no Eurovision 2026: “Respeito quem protesta — a música é um banho de paz e inclusão”
Sal Da Vinci representa a Itália no Eurovision 2026: “Respeito quem protesta. A música é um banho de paz e de inclusão”, declara em Viena.
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Sal Da Vinci no Eurovision 2026: “Respeito quem protesta — a música é um banho de paz e inclusão”
Por Chiara Lombardi — Enquanto a 70ª edição do Eurovision Song Contest desembarca em Vienna, a Itália confirma sua presença com uma voz que carrega história: Sal Da Vinci, autor e intérprete de “Per sempre sì”, será nosso representante na arena da Wiener Stadthalle.
Os três programas em direto, apresentados em italiano por Gabriele Corsi e Elettra Lamborghini, foram oficialmente anunciados: as semifinais vão ao ar na Rai 2 nos dias 12 e 14 de maio, enquanto a grande final será transmitida em prime time pela Rai 1 no sábado, 16 de maio, com simulcast em Rai Radio2 e streaming em RaiPlay e RaiPlay Sound.
O festival retorna a Viena depois do triunfo austríaco com JJ, e chega fragmentado: Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovênia e Islândia optaram por não disputar a edição como forma de protesto pela presença de Israel. O contingente em competição cai, portanto, para 35 países — um dado que transforma o palco num espelho dos dilemas políticos que atravessam a Europa.
Claudio Fasulo, vicediretor de Entretenimento Prime Time da Rai, recordou a evolução italiana dentro do formato: “O Eurovision é, depois do Sanremo, o evento musical mais visto dos últimos três anos, regularmente acima dos 30% de share. Há uma década trabalhamos para consolidar esse projeto: a decisão de levar a final para a Rai 1 foi uma aposta que se revelou acertada”.
Do coração de Viena, Sal Da Vinci falou com honestidade e emoção: “Não costumo ficar preso a números, mas 36 milhões de visualizações e streams é um sinal extraordinário. Sou grato à Rai e a Carlo Conti por me permitirem subir ao palco do Ariston. A proximidade da emissora foi desarmante — uma força e uma vontade de fazer bem que me deixaram sem fôlego”.
O artista não esconde a ansiedade das primeiras provas: “A arena é imensa, senti as pernas e as mãos tremerem — ainda não acredito no que está acontecendo. É uma viagem que não cabe numa única descrição. Estou emocionado e grato. Quando os italianos se apresentam como tais, há uma força que se propaga”. No palco, além de Sal, estará o coreógrafo Marcello Sacchetta com um corpo de baile que promete recriar a coreografia da canção.
Sobre os boicotes, Da Vinci foi claro e sereno: “Respeito quem protesta — é legítimo. Para mim, a música é um banho de paz, um espaço de inclusão que tende a curar dores e a unir. A música não é política; é um palcoscenico para a eternidade”. Estas foram palavras que soaram como um refrão ético num tempo de rupturas, um reframing que transforma canção em ato de convivência.
Gabriele Corsi associou-se ao sentimento do intérprete e valorizou a capacidade do festival de criar pontes culturais — um resultado do trabalho de uma equipa que, em dez anos, transformou um formato em projeto sólido e reconhecido.
Há, portanto, um roteiro oculto: o Eurovision é hoje mais do que competição musical; é um pequeno palco geopolítico, onde cada ausência ou aplauso conta uma história maior. Sal Da Vinci chega a Viena com a vontade de cantar uma nota de união. E, enquanto crítica cultural — e espectadora fascinada — não posso deixar de ver nele o reflexo do nosso tempo: música como espelho, como narrativa coletiva que resiste à fragmentação.
Sal Da Vinci, a equipe italiana e a Rai seguem para Viena com a ambição de transformar emoção em performance e de lembrar que, mesmo em tempos conturbados, um coro pode ser um ato de esperança.
Chiara Lombardi — Espresso Italia