Silvia Calandrelli assume presidência da Accademia del Cinema Italiano e lidera os David di Donatello

Silvia Calandrelli é a nova presidente da Accademia del Cinema Italiano e comandará os Premi David di Donatello, unindo cultura, sustentabilidade e tecnologia.

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Silvia Calandrelli assume presidência da Accademia del Cinema Italiano e lidera os David di Donatello

Silvia Calandrelli foi nomeada nova Presidente da Fondazione Accademia del Cinema Italiano — responsável pelos prestigiados Premi David di Donatello. A indicação foi formalizada em 29 de julho de 2026 pelos sócios fundadores AGIS e ANICA, em acordo com a Direção-Geral de Cinema e Audiovisivo do Ministério da Cultura. Calandrelli substitui Piera Detassis, que comandou a Fundação desde 2018.

Em palavras que traduzem tanto o peso institucional quanto a curiosidade cultural que orienta sua carreira, Calandrelli declarou estar “extremamente honrada e entusiasmada” ao assumir o cargo. Agradeceu pela confiança a Francesco Giambrone e Alessandro Usai, presidentes de AGIS e ANICA, e a Giorgio Carlo Brugnoni, Diretor-Geral de Cinema e Audiovisivo do Ministério da Cultura, além de dirigir um caloroso reconhecimento a Piera Detassis pelo trabalho dedicado nos últimos oito anos.

A trajetória de Silvia Calandrelli mistura reflexão e prática: formada em Filosofia, ingressou na Rai em 1989 como programista-regista, atuando inicialmente em rádio e depois na televisão. Em 2014 assumiu a direção de Rai Cultura, com responsabilização por Rai Scuola, Rai Storia e Rai 5; em 2020 conduziu interinamente a direção da Rai 3; e, desde maio de 2025, ocupa o posto de Diretora de Rai per la Sostenibilità - ESG, coordenando também o Tavolo empresarial sobre Inteligência Artificial.

Essa trajetória sinaliza mais do que uma carreira administrativa: representa uma afinidade com as transformações contemporâneas do setor audiovisual — desde a patrimonialização da memória televisiva até as urgências éticas da sustentabilidade e da inteligência artificial. Ao assumir a presidência da Fundação, Calandrelli leva para o centro do palco uma sensibilidade calibrada entre patrimônio cultural e inovação: uma diretora que conhece os bastidores e a gramática do fazer audiovisual.

No cenário italiano, os Premi David di Donatello funcionam como um espelho do nosso tempo cinematográfico, um indicador da excelência criativa e também do roteiro oculto das prioridades institucionais. A nomeação de Calandrelli pode ser lida como um reframe: a Academia escolhe uma liderança que une experiência pública, gestão cultural e atenção aos desafios tecnológicos e de sustentabilidade — fatores chaves para a projeção internacional do cinema italiano.

Como observadora da cultura, vejo nessa mudança um pequeno, porém significativo, movimento no eco cultural que envolve festivais, políticas públicas e indústria: a sucessão não é apenas administrativa, é simbólica. A Fundação encontrará em Calandrelli uma condutora que dialoga com a memória e com o futuro — capaz de transformar os David em um palco onde se debate estética, política e responsabilidade social.

Resta acompanhar as primeiras escolhas de programação, parcerias internacionais e eventuais reformulações no regulamento dos prêmios. Se a cultura é um filme que se escreve em episódios, esta nova direção promete abrir uma cena de transição, onde tradição e inovação entram em cena com igual intensidade.