Sophia Loren: livro com 560 imagens raras e novo Centro de Estudos na Campânia celebra a diva

Livro com 560 imagens raras e centro de estudos na Campânia celebram Sophia Loren: acervo com 6.000 capas, pôsteres, discos e até uma Barbie.

Sophia Loren: livro com 560 imagens raras e novo Centro de Estudos na Campânia celebra a diva

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Sophia Loren: livro com 560 imagens raras e novo Centro de Estudos na Campânia celebra a diva

Por Chiara Lombardi — Em um gesto que mistura arqueologia da imagem e curadoria afetiva, chega às prateleiras uma homenagem monumental a Sophia Loren. O volume 'Sophia Loren' (Dario Cimorelli Editore), com o peculiar detalhe tipográfico do 'ph' sobrescrito por uma 'f', reúne 480 páginas e 560 imagens raras — muitas inéditas — que percorrem a trajetória de uma atriz cujo rosto se tornou um espelho do nosso tempo.

Curado por Marcello Garofalo, o livro analisa, pela primeira vez em um único grande formato, os quase oito décadas de carreira da artista: do pós-guerra em Pozzuoli à consagração internacional. Com prefácio do escritor Erri De Luca e uma postfação que recupera um texto de Giuseppe Marotta de 1959, o projeto traça o percurso de uma figura que dialogou com lendas como Cary Grant, John Wayne, Clark Gable, Gregory Peck e Marlon Brando, preservando suas raízes puteolanas sem perder o alcance global.

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Sophia Loren in 560 immagini rare e un Centro studi per celebrare la diva italiana — agi.it
Crédito: Sophia Loren in 560 immagini rare e un Centro studi per celebrare la diva italiana — agi.it

O lançamento não é só editorial: a iniciativa marca também a criação de um Centro de Estudos dedicado à atriz, possibilitado pela aquisição de um valioso fundo privado. A Região da Campânia e a Fundação Film Commission da região ampliam, assim, o tributo iniciado com a retrospectiva de 98 filmes promovida em outubro de 2024, em comemoração aos 90 anos de Loren.

Sophia Loren in 560 immagini rare e un Centro studi per celebrare la diva italiana — agi.it
Crédito: Sophia Loren in 560 immagini rare e un Centro studi per celebrare la diva italiana — agi.it

Titta Fiore, presidente da Film Commission Campana, lembra que os filmes de Loren atravessaram as estações douradas do cinema italiano e internacional. “Aos 26 anos Sophia Loren ganhou um Oscar e, a partir daí, pôde escolher seus papéis. Este livro é uma pesquisa científica e uma reconciliação analítica de uma filmografia que atravessa múltiplos gêneros”, afirma.

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Garofalo explica que a escolha editorial foi enfatizar a inteligência interpretativa de Loren: “Seu cinema, desde La ciociara, demonstra uma atenção aos temas éticos e existenciais, convertendo interpretações em imagens-cinema que permanecem na memória coletiva.” É um olhar que procura decifrar o roteiro oculto da sociedade por meio de uma performer que soube construir uma figura identitária, empática e corajosa.

O volume, bilíngue (italiano e inglês), é produzido pela Fcrc sob a direção de Maurizio Gemma, com a consultoria de Paolo Lubrano para o Projeto Loren, em colaboração com a Solares Fondazione delle Arti, e com apoio do Plano para a Cultura e o Turismo 2024/2025 da Região da Campânia.

A secretária regional de Cultura, Ninni Cutaia, confirmou que serão adotadas “todas as medidas” para a aquisição do acervo — um inventário impressionante pertencente a uma colecionadora da Emília-Romanha: cerca de 6 mil capas de revistas dedicadas a Sophia Loren, cartazes, fotografias, discos com trilhas sonoras dos filmes, e até uma boneca Barbie em sua imagem. Este material dará forma ao Centro de Estudos, que funcionará como repositório e observatório crítico.

Mais do que um objeto de celebração, o livro e o futuro Centro configuram um arquivo vivo: um ponto de reflexão sobre como imagens e símbolos moldam memórias coletivas — a semiótica do viral antes do viral. É uma oportunidade para reavaliar o estatuto da diva não apenas como figura escultural, mas como roteiro cultural que atravessou e refratou os tempos, oferecendo ao público e à academia pistas para entender o cinema como cenário de transformação.

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