Sotheby's abre temporada em Nova York com Rothko vendido por US$85,8 milhões e leilão de US$433,1 milhões

Sotheby's arrecada US$433,1 mi em NY; Rothko 'Brown and Blacks in Reds' vendido por US$85,8 mi, segundo maior valor do artista em leilão.

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GERADO EM: Jun 15, 2026 às 16:59

Sotheby's abre temporada em Nova York com Rothko vendido por US$85,8 milhões e leilão de US$433,1 milhões

A Sotheby's abriu sua temporada de leilões em Nova York com um total de US$433,1 milhões, destacando-se por obras da coleção de Robert Mnuchin e peças contemporâneas. O destaque foi um Rothko, vendido por quase US$86 milhões, reforçando a relevância do abstracionismo. Outros itens notáveis incluíram Jean-Michel Basquiat, cuja obra Museum Security (1983) arrecadou US$52,7 milhões. A venda também incluiu três obras de Willem de Kooning, assim como peças de Franz Kline e Lucio Fontana, que estabeleceram novos recordes. A coleção Mnuchin, avaliada em mais de US$130 milhões, ofereceu uma visão coerente das narrativas do mercado de arte, refletindo a história estética e emocional contemporânea.

Fique por dentro de todos os pontos deste artigo lendo a versão completa a seguir.

Por Chiara Lombardi — Em uma noite que foi ao mesmo tempo espetáculo e diagnóstico cultural, Sotheby's abriu a temporada de leilões em Nova York alcançando um total de US$433,1 milhões, impulsionada por obras centrais da consagrada coleção do marchand Robert Mnuchin e por peças-chave do pós‑guerra e contemporâneo. O grande destaque foi um Rothko vendido por quase US$86 milhões, reafirmando a força do mercado e o lugar do abstracionismo como espelho do nosso tempo.

O quadro que dominou a noite foi Brown and Blacks in Reds (1957), uma tela de quase oito pés de altura que saiu do acervo de Mnuchin — que a guardou por mais de 20 anos — e que antes pertenceu à Joseph E. Seagram & Sons. Estimada entre US$70 e US$100 milhões, a obra foi arrematada por telefone depois de dois minutos e meio de lances acirrados: martelo a US$74 milhões, totalizando US$85,8 milhões com comissões, tornando‑se o segundo retorno mais alto já registrado para um Rothko em leilão público.

Da mesma origem veio também No. 1 (1949), estimada entre US$15 e US$20 milhões — peça que marca a transição das "multiforms" para as icônicas faixas de cor — vendida a US$20,8 milhões (aprox. US$24,1 milhões com taxas). Outra tela sem título da coleção de Jean e Terry de Gunzburg alcançou US$16,5 milhões (cerca de US$19,3 milhões com comissões).

Na ala contemporânea, sobressaiu Jean‑Michel Basquiat com Museum Security (Broadway Meltdown) (1983), arrematado por US$52,7 milhões e saldado em aproximadamente US$60,9 milhões com comissões — cifra que o coloca entre as cinco obras mais caras do artista em leilão. A presença do Basquiat na lista reitera um roteiro oculto do mercado: a procura por narrativas urbanas e autobiográficas segue influente, mesmo em um cenário dominado pelo color field.

Outros nomes de peso confirmaram a amplitude da venda: três obras de Willem de Kooning somaram US$27,2 milhões, incluindo o inédito em leilão Untitled XLII (1983). Da coleção Mnuchin vieram também trabalhos de Franz Kline e um Jeff Koons com sua peça "Louis XIV". E, em um toque europeu que dialoga com nossa tradição modernista, Lucio Fontana teve um Concetto spaziale, Il cielo di Venezia vendido por US$16,4 milhões (aprox. US$19,2 milhões com comissões), estabelecendo novo recorde para a série "Venezie".

A coleção Mnuchin, estimada antes do leilão em mais de US$130 milhões e composta por 24 obras, foi distribuída entre uma sessão noturna com 11 lotes e as subsequentes corridas Contemporary e Modern, oferecendo um panorama curatorial coerente que reforça a narrativa do mercado: raridade, proveniência e a capacidade de cada obra de funcionar como um espelho de épocas e memórias coletivas.

Mais do que cifras, a noite da Sotheby's foi um exercício de semiótica do mercado: como em uma cena de cinema, cada pintura não só disputa valor, mas reconta parte de nossa história estética e emocional. O resultado — US$433,1 milhões no total — confirma que, apesar da volatilidade, o leilão ainda constrói roteiros de significado para colecionadores e para a memória cultural contemporânea.