Stefano De Martino a nove meses de Sanremo: 'Estamos no momento da concepção do festival'
Stefano De Martino brinca: faltam nove meses para Sanremo; 'daremos à luz um festival'. Veja declarações e o tom reflexivo do diretor artístico.
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Stefano De Martino a nove meses de Sanremo: 'Estamos no momento da concepção do festival'
Stefano De Martino, nome que hoje comanda olhares e expectativas em torno do palco de Sanremo, participou do programa 'Che Tempo Che Fa', apresentado por Fabio Fazio, e tratou o próximo evento com a leveza de quem brinca com um roteiro ainda em elaboração. 'Estou felicíssimo. Hoje faltam nove meses para Sanremo: estamos no momento do concepção. Nós daremos à luz um festival.' Foi assim, entre o humor e a autoironia, que o apresentador e diretor artístico descreveu os preparativos.
De Martino assumiu a ambivalência que acompanha quem prepara um grande espetáculo: 'A coisa que realmente me emociona é que, neste momento, eu poderia ter entre as mãos o festival mais feio da história ou um festival maravilhoso'. A imagem é clara: o processo criativo como uma gravidez — um espelho do nosso tempo, cheio de expectativas e incertezas, onde o possível hoje se transforma em memória amanhã.
No programa, Fabio Fazio provocou com uma simulação de conferência de imprensa típica de Sanremo, lançando perguntas contraditórias e pondo o diretor artístico frente ao público imaginário. De Martino, relaxado e seguro, respondeu com serenidade e admitiu estar em constante preparação: 'Eu estudo para me defender', disse sorrindo. A fala revela o outro lado do palco — o trabalho metódico por trás da performance e a disciplina como armadura.
Sobre o formato do festival, o apresentador ressaltou que quer um evento inclusivo: 'Estou trabalhando para um festival para todos'. E, com a pitada de charme que o público feminino costuma oferecer, brincou: 'Passei de homens e mulheres a homens e avós' — um comentário leve que também é um termômetro do apelo intergeracional que Sanremo historicamente exerce.
Questionado sobre trazer para o palco a trupe de 'Step', De Martino preferiu não garantir nada. Já sobre sua sintonia com Herbert Ballerina, parceiro em programas anteriores como 'Affari Tuoi', foi enfático na amizade e na química: 'Se ele fosse mulher, eu o casaria: é preguiçoso até a morte, não gosta de fazer nada. E para mim seria ideal, porque também sou muito preguiçoso.' A intimidade descrita tem nuances domésticas — o apresentador fala de lar, de convites para jantar e de uma recente paixão pela cozinha — um detalhe que humaniza o gestor artístico e o aproxima do público.
Para fechar, uma imagem quase cinematográfica sobre a abertura de Sanremo 2027: De Martino sugeriu com humor que o melhor seria começar com 'uma bela queda pela escada'. Fazio, sempre imediato, perguntou se haveria escadas no palco. 'Sim, mas em espiral, assim ocupam menos espaço', respondeu, rindo. A fala encerra com a metáfora do espetáculo como mise-en-scène, onde cada decisão cênica carrega um pequeno roteiro oculto sobre identidade e memória coletiva.
Como observadora do zeitgeist, vejo nessa entrevista mais que anedotas: há o esboço de um festival como espelho cultural, uma tentativa de gerar um evento que nasça conectado com diferentes gerações e com a própria história da televisão italiana. A preparação de Sanremo, nas palavras de Stefano De Martino, é um exercício de criação que combina leveza, responsabilidade e um senso performático que reconhece a plateia como parte ativa do rito.